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Montadoras devem se virar com estrutura atual

Da esq. para a dir.: Angel Martinez (Hyundai), Evandro Maggio (Toyota), Roberto Akiyama (Honda) e Tania Silvestre (FCA). Fotos: Luis Prado
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Redação AB

17 abr 2017

5 minutos de leitura

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Em 2016, somente as montadoras asiáticas Hyundai, Toyota e Honda conseguiram bons resultados na indústria de veículos leves. Mas nenhuma delas tem planos de ampliação da capacidade de produção, diante de um mercado ainda deprimido. Foi o que disseram os executivos Angel Javier Martinez (Hyundai), Evandro Maggio (Toyota) e Roberto Akiyama (Honda), no painel Os Cenários para as Montadoras, durante o VIII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 17.
O debate ocorreu no Golden Hall do WTC, em São Paulo, e teve também a participação de Tania Silvestre, diretora de vendas da Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Todos os participantes do painel foram unânimes em afirmar que o programa Inovar-Auto, que começou em 2012 e terminará ao fim deste ano, teve efeito positivo para a indústria automobilística.
Das quatro empresas, porém, o Inovar-Auto mexeu com a estratégia de apenas duas: Hyundai e FCA. Os executivos da Toyota e da Honda disseram que o investimento em seus produtos ocorreria mesmo sem o programa de fomento à indústria. “Para a Toyota, o Inovar-Auto foi positivo por ter trazido investimento e inovação, pois melhoramos os carros em eficiência e segurança. Mas a Toyota teria de fazer esse movimento mesmo sem o programa”, disse Maggio, diretor de vendas, pós-vendas e desenvolvimento de rede da empresa.
“Não podemos esquecer que na época (do surgimento) do Inovar-Auto o cenário era diferente, com previsão de grande crescimento”, observou Akiyama, vice-presidente da Honda Automóveis. “De qualquer forma, mesmo com a crise, acabou sendo positivo por ter melhorado a eficiência dos motores, mas o retorno do investimento nesse momento é penoso.” Por causa disso ele descartou a possibilidade de a Honda finalmente iniciar no curto prazo as atividades da fábrica de Itirapina (SP), que está pronta, mas sem operar. “Itirapina existiria mesmo sem o Inovar-Auto, pois em 2015 tivemos um volume de 150 mil carros e a capacidade de produção de Sumaré é de 120 mil unidades.” Com a capacidade de produção toda ocupada, a chegada do WR-V para reforçar a marca no segmento que mais cresce, o de SUVs, seria o motivo que faltava para a Honda iniciar as operações em Itirapina? “Não podemos contratar 2 mil funcionários para produzir em dois turnos cerca de 60 mil carros sem ter a certeza de que o mercado está num momento melhor”, disse Akiyama.
A necessidade de maior previsibilidade do mercado foi destacada pelos quatro executivos. No caso da Hyundai, mesmo que venha a perder sua excelente posição atual (quarto lugar), a marca coreana não quer falar em ampliação. “O resultado de 2016 não era o objetivo da empresa, pois nossa capacidade produtiva é de apenas 180 mil unidades”, disse Martinez. “Com relação a 2020, se o mercado crescer, com apenas uma fábrica evidentemente não conseguiremos manter essa posição, pois não teremos como produzir tanto.” Martinez disse também que a Hyundai está satisfeita com a parceria que tem com o Grupo Caoa, de forma inédita na atuação global da marca. “Por questões históricas a Hyundai opera no Brasil de forma específica. A Caoa produz três veículos da marca e também distribui toda a linha de importados e 20% do HB20. Com ela conseguimos oferecer a linha completa no País”, explicou.
Sobre o crescimento de 2,6% obtido pela Toyota no ano passado, Evandro Maggio afirmou que não foi o resultado de uma estratégia exclusiva para 2016. “Isso vem de um trabalho de três a quatro anos, fazendo modificações nos produtos, no marketing e no pós-venda para que os consumidores queiram comprar um Toyota”, afirmou. “Acreditamos que o Corolla pode manter sua quinta posição no ranking dos carros mais vendidos, pois todas as mudanças foram feitas em cima do que escutamos dos clientes e da mídia especializada. Além disso o carro é dinamicamente superior ao anterior.” Mesmo assim, ele disse que não há planos de nacionalizar o câmbio automático do sedã. Maggio destacou também o bom momento do Etios: “Esse era um carro difícil para nós, mas fizemos 14 mudanças para melhorar sua imagem e agora ele disputa o oitavo ou o nono lugar entre os mais vendidos, além de ter 33 mil unidades exportadas.”
Outro assunto destacado no painel foi a gangorra que existe dentro da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), com a Fiat caindo e a Jeep subindo. “A estratégia da FCA é utilizar as cinco marcas que tem no mundo para operar no mercado brasileiro”, explicou Tania Silvestre. A empresa vende também veículos das marcas Chrysler, Dodge e RAM no Brasil. “Estamos satisfeitos com essa estratégia, pois a FCA é líder do mercado com quase 18%, está em primeiro lugar na venda de SUVs e lidera também o segmento de picapes, com a Toro e a Strada”, destacou.
A executiva da FCA afirmou ainda que os modelos Renegade e Compass “são distintos, um atua no segmento SUV-B, outro no SUV-C e são complementares”. Está no radar da empresa exportar esses modelos para o maior número possível de países da América Latina, inclusive o México. Tania acredita que a marca Fiat também terá recuperação em vendas com a chegada de seus novos carros médios ainda este ano – sendo um hatch fabricado no Brasil e um sedã feito na Argentina. Os modelos ainda não tiveram seus nomes revelados e são conhecidos pelos códigos de projeto: X6H (hatch) e X6S (sedã).Assista ao resumo em vídeo do VIII Fórum da Indústria Automobilística: