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Montadoras dos EUA de olho em Cuba


Carros dos anos 50 ainda rodam em Cuba: oportunidade para montadoras
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Redação AB

04 fev 2015

3 minutos de leitura

Por ocasião do Salão de Detroit, no início de janeiro, dirigentes de várias montadoras mostraram interesse em iniciar operações de produção de veículos em Cuba, na esteira da abertura política proporcionada pela retomada das relações entre estadunidenses e cubanos, conforme a agência venezuelana Flash de Motor.

Cuba desperta interesse das montadoras porque o país não tem produção e a importação é reduzida. Além disso, a frota é muito pequena e ainda circulam pelas ruas carros velhos, sem condições de serem reformados e poluindo o meio ambiente.

Patrick Morrisey, porta-voz da GM, disse à agência France Press que a montadora está atenta à evolução dos acontecimentos que iniciaram uma nova fase no relacionamento de Cuba com os Estados Unidos: “Vamos examinar qualquer oportunidade que possa surgir em Cuba”, disse.

A Ford também demonstrou interesse na retomada das relações entre os dois países: “Eles vão determinar o impacto que a retomada das relações terão para a indústria automobilística. Não descartamos nada”, disse a porta-voz da empresa Christine Becker.

Michael Koo, executivo da Kia, comentou que a montadora vai esperar o andamento das relações; disse que a retomada das relações vai criar oportunidades no mercado cubano.

“Sem dúvida, Cuba é um oásis de crescimento para a indústria automobilística”, expressou o analista estadunidense Akshay Anand, certamente com uma boa dose de otimismo. Isso porque não há sinais – exceto a retomada das relações e o provável fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de 50 anos – de uma explosão de crescimento na ilha.

A favor da sua expectativa, Anand avalia que os cubanos apreciam carros e necessitam renovar a frota, substituindo os carros da década de 50. Aqui também há certo exagero. Os carros dos anos 50 ainda rodam, sim, pelas ruas de La Havana, mas hoje já são raridade. A maioria dos carros de passeio que circula nas cidades cubanas foram comprados após a Revolução. Várias marcas europeias atuam no país, com destaque para a francesa Peugeot e a Italiana Fiat, que mantém uma concessionária
no tradicional Malecón, avenida à beira mar onde as pessoas passeiam no fim da tarde para assistir o pôr do sol e o tomar um refrescante banho de mar.

Por isso, mesmo com todo o interesse das montadoras dos EUA provocado pela abertura das relações com seu país, a curto prazo é difícil esperar que alguma empresa se instale em Cuba, porque a falta de estrutura ainda é muito grande no País, como boas estradas, logística, rede de distribuição, burocracia.

Outro fator impeditivo é o poder aquisitivo da população; poucos têm hoje condições de comprar um carro zero-quilômetro. O grande nicho pode ser o setor de turismo, atualmente o mais importante da economia cubana e onde o dinheiro circula. Há grande demanda de veículos comerciais, para uso nos traslados de turistas, como vans e ônibus de rodoviários. E também no transporte público, coletivo ou individual (táxis).

SITUAÇÃO DOS DOIS PAÍSES

O restabelecimento das relações entre os dois países permite que cidadãos estadunidenses possam visitar Cuba, mas as relações comerciais ainda são proibidas pelo embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há 53 anos (7 de fevereiro de 1962).

Em 1999, o presidente Bill Clinton ampliou o embargo proibindo empresas estadunidenses comercializar com Cuba a valores superiores a US$ 700 milhões anuais. A medida está em vigor até hoje.

O embargo é formalmente condenado pelas Nações Unidas, mas defendido por EUA e Israel. A extinção do embargo só será efetivada com a aprovação do Congresso estadunidense.