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Montadoras economizaram US$ 1 bi em recalls no Brasil

Rodolfo Alberto Rizzoto, autor do livro “Recall: 4 milhões de carros com defeito de fábrica” e editor do portal www.estradas.com.br, ressalta que as montadoras economizaram mais de US$ 1 bilhão no Brasil com recalls não atendidos.
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Redação AB

24 fev 2010

2 minutos de leitura

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O levantamento do autor levou em conta o recall de oito milhões de veículos nos últimos 15 anos com uma resposta de apenas 50% no comparecimento dos proprietários. O número foi multiplicado pelo custo mínimo de um reparo, de cerca de US$ 250 por automóvel, levando em conta a mão de obra e peças envolvidas.

O motivo da baixa presença para os concertos é, segundo Rizzoto, falta de interesse e divulgação dos problemas pelas montadoras. O comportamento também é motivado pela ausência de órgãos de segurança no transito que investiguem defeitos, como o NHTSA, nos Estados Unidos, e o Ministério dos Transportes do Japão. Apesar de ser uma obrigação legal, é a indústria quem decide de que forma os consertos serão feitos.

“Recall de veículo é questão de segurança no trânsito e não apenas consumo” — alerta o autor. Segundo ele, com a estrutura correta os recalls poderiam atrair cerca 90% dos convocados.

Toyota

A Toyota já anunciou no Brasil que no máximo 60% dos veículos relacionados nos chamamentos atendem as convocações. Automotive Business apurou junto a fontes do setor que a resposta envolvendo muitas marcas pode nem chegar a 40%.

A omissão dos proprietários dos veículos — acentuada pela inércia dos responsáveis na indústria automobilística e no governo — tem origem na ineficiência da comunicação, fiscalização e falta de interesse sobre um problema que envolve segurança.

As montadoras têm procurado cumprir as disposições legais emitindo cartas, publicando anúncios nos meios de comunicação e até enviando aos concessionários a relação de chassis envolvidos nos chamamentos para reparos durante as revisões periódicas.

Na prática, a soma de todos esses esforços não atinge aos objetivos propostos pela legislação. Muitos donos mudam de endereço ou revendem o veículo, tornando inócuo o comunicado de recall. Em outros casos o proprietário não dá importância à campanha de reparação.

Como o recall trata de questões relativas à segurança das pessoas e sua aplicação não é satisfatória, as ameaças detectadas por defeitos nos veículos estão latentes na frota circulante.

Há pelo menos duas situações em que o veículo em falta com o recall pode ser flagrado. Uma delas acontece durante as inspeções veiculares, que começam a se consolidar nas metrópoles. Outra, mais eficaz, ocorre na ocasião do licenciamento anual dos veículos.