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Michelly Teixeira, para AB
Mais do que capacidade de produção e entrega das autopeças no prazo estipulado, as montadoras estão preocupadas com a qualidade, seja dos produtos ou da mão-de-obra. Essa foi a mensagem transmitida por executivos da área de compras durante o Simpósio Tendências e Inovação da Indústria Automobilística, realizado nesta segunda-feira, 30, pela SAE Brasil.
Embora os volumes produzidos venham subindo ano a ano, o vice-presidente de Compras para a General Motors (GM) América do Sul, Edgard Pezzo, avalia que a questão da capacidade não está na agenda neste momento. “A preocupação maior é com a qualidade, que vem sendo entregue, mas não no nível que desejamos. Montadoras e fornecedores estão trabalhando para avançar nesta matéria não só no que diz respeito às novas tecnologias, mas também nos processos básicos”, observa o executivo.
Já o diretor de Compras da Fiat, Osias Galantine, destaca como fonte de preocupação o gargalo na mão-de-obra qualificada. “O sucesso das montadoras hoje depende muito mais das inovações tecnológicas, o que requer profissionais especializados”, avalia o executivo. Para ele, o governo e empresas têm que trabalhar juntos para encontrar maneiras de incentivar a formação de profissionais preparados para um mercado cada vez mais inovador e competitivo. Outro ponto a ser resolvido, na opinião de Galantine, diz respeito aos investimentos para evitar o custo provocado pela falta de qualidade de alguns produtos.
Em estudo recente, o Sindipeças estimou que o custo da não-qualidade representa em torno de 7% ou R$ 5,5 bilhões do faturamento anual do setor de autopeças, considerando as cifras de 2009. “Os investimentos do setor para cumprir o prazo das entregas estão sendo cumpridos, diferentemente do que vem ocorrendo com a qualidade, que precisa tanto de investimentos em pessoas quanto nos meios de produção. É preciso modernizar as plantas produtivas e investir em novas tecnologias. A qualidade se entrega, o problema é entregar a qualidade no tempo certo”, analisa.
Para o diretor de Compras da fabricante de componentes e sistemas ArvinMeritor, José Manuel Fernandes, além do custo dos insumos e impostos, temas que ocupam a maior parte do noticiário, é preciso olhar para os investimentos feitos pelas próprias empresas em tecnologia e gestão. “O custo da não-qualidade é muito ligado à gestão, aos processos para eliminar despesas e encontrar alternativas para a competitividade. Nos últimos seis meses problemas relacionados com a qualidade voltaram a aparecer porque a indústria automotiva retomou as vendas e a produção de maneira muito rápida”, diz.
Tanto Pezzo, da GM, quanto o executivo da Fiat citam, também, as dificuldades logísticas que o setor automotivo vem enfrentando. “O custo logístico, no Brasil, é 25% acima do visto nos Estados Unidos. Esse é mais um dos itens, além dos custos com a não-qualidade, que afetam a competitividade do setor”, atesta Galantine. O diretor da GM, por sua vez, complementa que há anos se fala na possibilidade de um apagão logístico, mas há um problema que já está ocorrendo: os custos de manter estoques elevados para evitar desabastecimento por problemas logísticos.