
Os números são do Exército Brasileiro, órgão responsável por fiscalizar o setor, e informados pela Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin). A previsão da entidade é que, neste ano, o setor bata o recorde registrado no ano passado, quando 29.296 veículos receberam proteção balística.
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Com o aumento no interesse, várias montadoras já oferecem o serviço para seus clientes de forma que a blindagem não invalide a garantia de fábrica. Seja por meio da homologação ou certificação das blindadoras.
Brasileiros blindam todos os carros da Volvo no mundo

A Carbon é, atualmente, a única blindadora homologada pela Volvo no mundo inteiro. Isso significa que todo veículo vendido pela marca com proteção balística em qualquer parte do planeta é blindado pela empresa no Brasil antes de ser enviado para onde o cliente está.
A blindagem é oferecida como um serviço atestado pela Volvo, que convocou uma parceira para homologar a blindagem antes de oferecê-la em mercados exigentes como o europeu.
“A Volvo precisa vender carros na Europa e lá as regras são muito rígidas. Então, para um veículo blindado poder ser vendido lá como original de fábrica, isso só foi possível com a interferência de uma empresa como a EDAG, que realizou diversos testes para atestar a qualidade da blindagem”, disse Guilherme Casellato, diretor industrial da Carbon.
EDAG realiza testes para homologar blindadoras

Quem coordena esse trabalho em conjunto com as montadoras é Martin Vollmer, diretor-presidente da EDAG do Brasil.
“Nosso papel é definir uma série de parâmetros juntamente com as montadoras para verificar se a blindagem foi bem executada. Por exemplo, nós realizamos testes com duração mais reduzida para verificar se existem barulhos e se o serviço foi bem realizado. Se tudo estiver dentro das regras, a homologação é realizada”.
A equipe não atesta apenas a qualidade do serviço mas também se todos os itens do automóvel estão operando normalmente após a desmontagem e remontagem para a realização da blindagem.
“Avaliamos o funcionamento de todos os itens, inclusive os de segurança, como os airbags. Verificamos se eles funcionam corretamente”, conta Martin.
Atualmente trabalhando com BMW e Volvo, a EDAG define os parâmetros da homologação “de acordo com a demanda”. Ou seja: segue as necessidades e desejos do cliente em cada projeto. Isso inclui até a quilometragem dos testes de rodagem realizados.
“A montadora é quem define em conjunto com nós. Do nosso ponto de vista, (rodar) 10 mil quilômetros é suficiente (para realizar a homologação)”.
Abrablin cria selo de certificação para blindadoras
Se a EDAG é uma das empresas convocadas por montadoras para homologar o trabalho das blindadoras, a Abrablin é responsável por, entre outras tarefas, monitorar a atuação das empresas do setor no país.
Foi por isso que a associação se uniu ao Instituto de Qualidade Automotiva (IQA) para criar a Certificação de Blindadoras IQA/Abrablin.
“Esse selo serve para certificar as blindadoras associadas e diferenciá-las do mercado em geral ao comprovar sua capacidade técnica por meio de vários processos de verificação”, afirma Marcelo Silva, presidente da associação.
Inicialmente, a certificação teve a adesão de pelo menos 10 blindadoras e a expectativa é que outras empresas se juntem à iniciativa. Silva acredita que a iniciativa pode ajudar tanto as blindadoras quanto o próprio cliente, que poderá decidir com mais clareza com quem vai blindar seu veículo.
“Isso (criação do selo) deixa o consumidor mais seguro e confiante de que está fazendo uma boa escolha. Além disso, acreditamos que essa ação aumentará o padrão de qualidade na prestação desse tipo de serviço”, completa.
Brasil é referência global em blindagem

Além da Volvo, a Carbon é parceira de outras seis marcas – e todas pensam em exportar veículos blindados.
“O foco das montadoras ainda é o (mercado) nacional, mas muitas delas estão olhando para exportação. Até mesmo as marcas japonesas, que são mais tradicionais, estão mudando de ideia. A Toyota, por exemplo, vive sendo consultada pela ONU para que seus membros possam andar em países que estão sob conflito”, revela Guilherme.
Com um número tão grande de empresas no setor, o mercado brasileiro se tornou sinônimo de trabalho de qualidade no segmento de blindagem.
“Assim como a Suíça é conhecida por ser referência em relógios, o Brasil virou referência em blindagem. O cliente sabe que a blindagem é de boa qualidade se ela foi realizada no Brasil”, conclui o executivo.
