
Um novo relatório da consultoria InfluenceMap, especializada em temas ligados à sustentabilidade, aponta que a maioria das montadoras de automóveis não conseguirá atingir as metas estabelecidas de cortes de emissões até 2030. Dentre as 12 empresas analisadas, apenas Tesla (100% em 2029) e Mercedes-Benz (56% em 2029) estarão dentro da meta de ter 57,5% de suas vendas correspondendo a carros com zero emissão.
O documento comparou as atuais previsões de produção das montadoras (com base em informações da IHS Markit) para o ano de 2029 com o mapa de ação estabelecido pela Agência de Energia Internacional, entidade europeia que serve como autoridade para assuntos ligados à energia.
Esse mapa dita que, até 2030, 57,5% dos carros leves vendidos precisarão ser de zero emissão para que o setor de transportes esteja alinhado com o objetivo de que a temperatura da Terra suba apenas 1,5o C.
Embora a sustentabilidade e a eletrificação tenham se tornado bandeiras das montadoras nos últimos anos, o estudo analisa que as próprias empresas são o maior obstáculo para que os países tenham frotas limpas. O relatório concedeu notas de D (mais baixa) a A (mais alta) para o nível de engajamento das companhias com o Acordo de Paris e oito entre as doze obtiveram nota D ou D+.

Confira abaixo as montadoras, a previsão de carros limpos vendidos em 2029 e a nota recebida:
Tesla – 100% em 2029 / Nota BMercedes-Benz – 56% em 2029 – Nota D+BMW – 45% em 2029 / Nota D+Volkswagen – 43% em 2029 / Nota CStellantis – 40% em 2029 / Nota D+Ford – 36% em 2029 / Nota C-Renault – 31% em 2029 / Nota D+GM – 28% em 2029 / Nota C-Hyundai – 27% em 2029 / Nota D+Nissan – 22% em 2029 / Nota D+Honda – 18% em 2029 Nota D+Toyota – 14% em 2029 / Nota D
Um dos critérios para a nota de engajamento foi o lobby que cada empresa faz por leis e políticas governamentais que ajudem na descarbonização. Nesse sentido, o relatório apontou que as empresas que mais abraçam e defendem a causa por medidas governamentais são também as que têm metas maiores de produção de carros elétricos no futuro. Mas há exceções: BMW, Mercedes e Stellantis todas têm metas altas, mas estão fracas no lobby climático.
Um exemplo desse lobby é a carta que a Ford e a Volvo assinaram nesta terça-feira,k 17, junto a empresas de outros setores, pedindo que os carros movidos a combustíveis fósseis sejam banidos na União Europeia até 2035. A Volvo planeja zerar o portfólio de carros a combustão em 2030 e a Ford em 2035, segundo declarações à imprensa.
Vale notar também que os três últimos lugares da lista são ocupados por empresas japonesas. É notável que as montadoras do Japão ficaram para trás na corrida da eletrificação e agora estão tentando compensar o atraso. Atualmente, os elétricos correspondem a apenas 1% do mercado japonês (índice similar ao do Brasil).

Outra informação importante do relatório é que, fora dos três maiores mercados (EUA, Europa e China), a situação será ainda pior. Na América do Sul, os elétricos deverão corresponder a apenas 3% das vendas em 2029 e, na África, apenas 8%. No Brasil especificamente, isso é resultado, em parte, da falta de incentivos do governo federal. Mas, em geral, o relatório aponta que a projeção baixa também é efeito da falta de legislação climática.