O economista aponta, no entanto, que já é possível perceber melhoras em alguns setores da indústria, como o automotivo. A retomada é reflexo das medidas de estimula à economia adotadas pelo governo federal. “A indústria automotiva já mostra números bem mais robustos”, afirma, em referência aos dados da Anfavea, associação que reúne os fabricantes de veículos, que apontam alta em julho na produção e no emprego de 8,8% e 0,5%, respectivamente, na comparação com junho.
De acordo com o analista, os dados de emprego acompanham os recentes resultados da produção industrial, que no primeiro semestre acumulou queda de 3,8% ante o mesmo período do ano passado. Essa sincronia deve continuar ao longo do ano. “Como nos meses anteriores, o emprego industrial reflete a perda de ímpeto da atividade industrial brasileira”, diz.
INCENTIVOS
Para o analista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, deve haver um crescimento forte da indústria no segundo semestre, seja em razão dos incentivos fiscais para a indústria automotiva, seja pela desoneração da folha de pagamentos para setores que enfrentam competição externa acirrada, como o têxtil. “A Tendências trabalha com crescimento anualizado do PIB de 4,1% no final do segundo semestre”, afirma, lembrando que isso deve ter efeito também sobre os dados do emprego industrial.
Mas Bacciotti alerta para a incerteza no ambiente econômico externo, principalmente em relação à desaceleração da economia chinesa, o que reduz o ímpeto do país asiático – maior destino de exportações de bens primários produzidos no Brasil. “Precisamos aguardar os próximos resultados do ambiente externo, ainda há muita incerteza com relação à questão fiscal na Europa e ao crescimento da China e dos Estados Unidos, o que limita as nossas exportações.”
Queiroz, da Austin Rating, diz que as medidas de estímulo à indústria do governo federal precisam passar por um “período de maturação” até seus efeitos serem sentidos na economia real. “No caso dos cortes de juros, por exemplo, demora de seis a oito meses”, afirma.
Em relação aos resultados divulgados hoje pelo IBGE, Queiroz destaca o emprego no setor de alimentos e bebidas, menos exposto à crise internacional. “As pessoas vão continuar consumindo independentemente do que está acontecendo na economia mundial”, diz.