
No painel que reuniu executivos de compras das montadoras durante o Congresso SAE Brasil, na quarta-feira, 1º, as fabricantes de veículos apontaram que estão reinventando as estratégias. “Estamos reduzindo o número de fornecedores, concentrando as compras”, revelou Erodes Berbetz, diretor da área na Mercedes-Benz. A companhia, que conta com cerca de 350 parceiros no Brasil, pretende garantir assim maior escala de produção às fabricantes de componentes, o que permitirá fechar contratos com preços menores.
“Hoje temos algumas peças que são fabricadas por duas ou três empresas diferentes. A ideia é manter apenas uma.” O executivo assegura que o objetivo não é fechar as portas para novos parceiros, mas apenas firmar contratos com empresas de fora quando a montadora tiver alguma vantagem competitiva. “A Mercedes, por exemplo, está sempre em busca de parceiros que tragam inovação”, explica. Berbetz lembra que não há motivos para a montadora investir em adaptações ou novos desenvolvimentos com empresas diferentes no Brasil se, muitas vezes, um componente projetado na Alemanha pode ser fabricado pela mesma empresa lá e aqui.
A Ford também acha vantajoso manter número menor de fornecedores. Nos próximos três anos a companhia pretende localizar na América do Sul US$ 1 bilhão em compras. A montadora estima que o nível de compras locais exigido pelo novo regime automotivo leve a índice próximo de 70% de nacionalização nos carros. A organização dará preferência aos parceiros que compõe a base atual de fornecimento. “Só vamos ter empresa de fora se houver algum componente que nossos parceiros não consigam fabricar”, explica João Pimentel, diretor de compras da fabricante. O plano ainda não deve refletir nos negócios que serão fechados em 2015. Sem revelar números o executivo projeta expansão da aquisição de componentes na comparação com este ano, mas apenas baseado no aumento do volume de vendas que a marca pretende alcançar no período.
A Mercedes-Benz tem a mesma meta. Barbetz acredita que, com a evolução dos emplacamentos de caminhões da marca, a empresa vai superar em 2015 os R$ 4 bilhões investidos na aquisição de autopeças este ano. O executivo avalia que adequar as compras a um formato competitivo e com maior volume de componentes nacionais é mais desafiador para o segmento de caminhões, que tem menor volume e, portanto, escala reduzida com os fornecedores.
Ainda assim, a montadora está concluindo a nacionalização do extrapesado Actros, fabricado em Juiz de Fora (MG). “No início de 2015 ele já será totalmente finamizável”, aponta, referindo-se ao Finame, linha de crédito subsidiada do BNDES, que exige 60% de conteúdo local. “Esperávamos ter bons resultados com o caminhão por seu conteúdo tecnológico, mas realmente a resposta do mercado não foi tão boa enquanto ele não podia ser completamente negociado pelo Finame”, admite. Com o aumento do conteúdo brasileiro, o executivo espera que o modelo seja um dos impulsos para a expansão das vendas que a companhia pretende realizar no próximo ano.
Berbetz também auxilia a área de automóveis da empresa na missão de projetar as etapas da nacionalização dos automóveis da marca que serão produzidos em Iracemápolis (SP) a partir do fim de 2015. Segundo ele, a companhia tem trabalhado com o apoio de alguns sistemistas e está definido que inicialmente a operação será praticamente CKD, com a montagem local de kits importados. As linhas de produção locais ganharão ritmo para que os carros recebam componentes nacionais ainda no primeiro ano de atividade da planta.
