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Morre Roberto Nasser, jornalista automotivo

Antigomobilista, Nasser teve como grande conquista a criação da placa preta para veículos de coleção
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Redação AB

09 nov 2018

2 minutos de leitura

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Morreu de enfarte na madrugada do dia 9 o advogado e jornalista especializado em automóveis Roberto Nasser. Passou, como costumava escrever nos breves obituários de sua coluna semanal “De Carro Por Aí” – também publicada por Automotive Business. Nasser tinha 72 anos, nasceu no Rio de Janeiro, mas morava havia muito tempo em Brasília (DF), onde trabalhou no Congresso Nacional, representava alguns clientes e atuava no jornalismo automotivo. Na capital federal criou e dirigiu o Museu do Automóvel.
A notícia pegou de surpresa todos os colegas do setor automotivo, especialmente aqueles que como nós de Automotive Business o viram no começo da semana caminhando de estande em estande nas apresentações de imprensa do Salão do Automóvel, nos dias 6 e 7 passados.
Com seu texto polido e rebuscado, sempre com termos emprestados da linguagem forense, Nasser publicava aqui e em diferentes veículos a coluna “De Carro Por Aí”. Durante os lançamentos de automóveis, costumava fazer perguntas provocativas, deixando muitas vezes sem rumo equipes de engenharia ou marketing das montadoras. O amigo e também colunista Fernando Calmon, que há anos disputava notícias exclusivas “roda a roda” com Nasser, assim escreveu:Roberto Nassar (José Roberto Nasser da Silva) foi um dos pioneiros do jornalismo especializado, apaixonado pelo que fazia e escrevia. Começamos praticamente juntos há 51 amos e o conheci menos de um ano depois. Então, foi meio século de convivência próxima e muitas trocas de ideias, cada um com seu estilo.
Sua memória sobre fatos e acontecimentos era prodigiosa, muito melhor que a média dos colegas de profissão. A paixão fervorosa pelo antigomobilismo o fez lutar pela adoção da placa preta, uma de suas grandes vitórias pessoais. Fundou o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, com um acervo pessoal de raridades mecânicas e de literatura pertinente.
Sua última e longa batalha foi tentar encontrar um novo local para o museu, mas não precisaria continuar: esta semana o Ministério dos Transportes, com a mudança de governo, lhe acenou continuar com o prédio para abrigar e expor seu acervo. Mas ele não viveu para ver seu museu reaberto.Outro grande amigo do setor, Bob Sharp, escreveu:Em 1960, saindo da adolescência, conheci o Nasser. Ele tinha 16 anos e eu, 20. Foi num posto de combustíveis em Ipanema, no Rio de Janeiro, onde a turma que curtia carro se reunia todas as noites. Logo lhe dei atenção, vi que era perspicaz e inteligente. Nosso contato começou aí e não parou mais. Mudei-me para São Paulo, ele mais tarde, para Brasília, e passamos a ser colegas de profissão, o que me dava orgulho — que tenho até hoje e que terei para sempre.
O Nasser era a síntese do jornalista automobilístico perfeito: conhecia a história do automóvel como ninguém, sua técnica, dirigia com habilidade de piloto e era um mestre na escrita. Não tem substituto.
Que esteja bem, esteja onde estiver, e que mantenha seu olhar em nós.