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Mortes de motoristas de aplicativo por violência em São Paulo sobem 250%

Já são 12 casos de violência este ano e cinco mortes
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Victor Bianchin

03 mai 2022

2 minutos de leitura

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A violência abala o segmento de transporte por aplicativo. No comparativo entre os primeiros meses de 2021 e 2022, subiram em 250% os casos de morte de motoristas de aplicativos devido a ataques violentos na capital paulista. Segundo levantamento da TV Globo divulgado no jornal “SP1”, entre janeiro e maio de 2021, 11 motoristas foram vítimas de violência na capital paulista, dos quais três ficaram feridos e dois morreram. No mesmo período em 2022, já são 12 casos, com um motorista ferido e cinco mortes.

Na noite desta segunda-feira (2/5), o motorista Eduardo Cardoso morreu após ser baleado na cabeça por assaltantes no bairro de Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. A vítima havia acabado de deixar um passageiro quando foi abordada por dois homens que anunciaram o assalto. Assustado, Cardoso teria dado ré no veículo e um dos bandidos teria, então, efetuado o disparo.

Números podem ser maiores

No primeiro semestre de 2021, segundo outro programa da TV Globo, o “Fantástico”, 43 motoristas de aplicativos foram mortos no Brasil enquanto trabalhavam. Mas os números, de fato, podem ser bem maiores – só na semana entre 6 e 13 de outubro do ano passado, foram cinco assassinatos desses profissionais em todo o país.

Os motoristas, que protestam contra os repasses inadequados e estudam criar aplicativos próprios, reclamam da falta de suporte das empresas. Uber e 99, as maiores do setor, têm programas de assistência aos motoristas e familiares, mas estes só valem se ficar comprovado que o aplicativo estava ligado quando ocorreu o crime. E, muitas vezes, as empresas lutam na Justiça para evitar ter que pagar as indenizações.

Em dezembro do ano passado, a Terceira turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu a responsabilidade da Uber na morte de um motorista de Fortaleza, assassinado a tiros enquanto trabalhava. O relator entendeu que, embora a empresa não fosse culpada pelo ocorrido, ela tinha obrigação de indenizar a família. Foi a primeira decisão do TST a favor do reconhecimento do vínculo de emprego nesse tipo de atividade. A Uber entrou com recurso dizendo que o crime não teve relação com o uso do aplicativo.