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Motor turbo é o melhor que o Up! TSI oferece

Um motor três-cilindros turboalimentado de apenas 1 litro, com 105 cavalos usando etanol no tanque, acelera o Up! TSI de 0 a 100 km/h em 9,1 segundos e chega sem perder o fôlego a 184 km/h. E nem dá para fazer a figuração de linguagem do “rato que ruge”, pois o nível de ruído é bastante baixo. Também não se trata de um pequeno grande bebedor de combustível. Muito pelo contrário, o carrinho da Volkswagen ficou 28% mais potente em comparação com a versão que usa o já eficiente motor MPI de 82 cavalos, mas ainda assim é hoje o veículo mais eficiente à venda no Brasil, com consumo energético de 1,44 megajoule por quilômetro com ar-condicionado. Este índice é 6,5% melhor do que o do próprio Up! aspirado, ou 7,7% menor que o Ford Ka (que também usa um tricilíndrico 1.0) e 19% abaixo do Fiat Uno, de acordo com as mais recentes medições do Inmetro.
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pedro

27 jul 2015

5 minutos de leitura

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Na prática, a tecnologia aplicada ao motor do Up! TSI subverte a imagem do carrinho “fraco” 1.0. Na estrada as acelerações ficam extremamente dispostas com o elevado torque de 16,8 kgfm, 68% maior do que o Up! MPI, e 100% disponível a partir de apenas 1.500 rpm. Mas isso sem perder a única vantagem de ser 1.0: a economia de combustível, que pela medição do Inmetro se traduz em consumo de 9,6 km/l com etanol na cidade ou 11,1 km/l na estrada; ou 13,8 km/l e 16,1 km/l rodando com gasolina E22. Na vida real fora das bancadas de teste, após percorrer mais de 400 km em boas rodovias do interior paulista e pequenos trechos urbanos, o computador de bordo do carro abastecido com gasolina marcou consumo médio e torno de 14 km/l.

“Normalmente carros com grande autonomia têm baixo torque. No Up! TSI temos os dois em alta. É como ter dois motores em um. Performance e eficiência no mesmo motor não são mais uma contradição”, destaca Markus Kleimann, vice-presidente de desenvolvimento da Volkswagen do Brasil. Para equacionar o velho dilema do desempenho em contraposição à economia e juntar o melhor desses dois mundos em um carro, a Volkswagen lançou mão de uma tendência mundial para aumentar a eficiência de motores ciclo otto: turboalimentação e injeção direta, uma combinação até agora vista no mercado brasileiro somente em veículos importados.

A ERA TURBO NO BRASIL

“O motor TSI apresenta eficiência energética sem precedentes no Brasil”, afirma Roger Guilherme, gerente de powertrain da Volkswagen. Para inaugurar o que pode ser chamado de era turbo no País, ao mesmo bloco e cabeçote de alumínio de três cilindros lançado no início de 2014 com o Up! aspirado, foi agregado ao TSI o sistema de injeção direta e um pequeno turbocompressor – este fornecido pela Borg Warner, que começou este ano a produzir o componente no País, em Itatiba (SP), para atender a esperada nova safra de carros nacionais turbinados, com lançamentos previstos a partir dos próximos meses, a começar pela própria Volkswagen que deve lançar em agosto o Golf nacional com motor 1.4 TSI a ser fabricado em sua unidade de São Carlos (SP), também a ser utilizado no Audi A3 Sedan brasileiro.

O TSI é o primeiro motor 1.0 tricilíndrico flex turboalimentado produzido pela Volkswagen no mundo todo – e supera em larga medida tecnológica a primeira experiência do início dos anos 2000, quando a própria VW lançou versões turbinadas do Gol e Parati com adaptação do propulsor 1.0 16V da época, que teve vida curta e não era tão econômico. O que não mudou em relação àquela época é que o TSI do Up! foi desenvolvido pela engenharia brasileira da empresa para atender à medíocre legislação local, que há 25 anos incentiva a motorização de 1 litro no País pela taxação menor de IPI. Mas pode-se dizer que o avanço tecnológico reduz bastante essa mediocridade – e por isso também abre espaço para exportações em condições mais competitivas de qualidade.

Contudo, desenvolver o 1.0 TSI não foi uma simples adaptação do projeto já existente do motor EA211. Segundo informa Guilherme, 90% das peças são diferentes da versão aspirada MPI. Isso porque o propulsor turboalimentado trabalha sob forças maiores e precisa de componentes reforçados. Exemplo disso é o virabrequim, que para o TSI é de ferro forjado, em vez de fundido, como no MPI. As bielas foram redesenhadas, ficaram mais curtas e o diâmetro do mancal foi ligeiramente aumentado para para suportar maior esforço. Da mesma forma, os pinos dos pistões foram diamantados para aguentar até 130 atmosferas – o peso equivalente a seis Up!. O bloco recebeu canais adicionais de arrefecimento do óleo, assim como um intercooler para esfriar o ar injetado sob pressão da turbina. Outra mudança foi feita no cofre do motor, que precisou ser alongado em 4 centímetros para abrigar o radiador independente do intercooler.

O TSI é também o primeiro motor turbinado bicombustível etanol-gasolina desenvolvido pela Volkswagen. A vantagem é que a injeção direta em alta pressão esquenta naturalmente o combustível e assim elimina a necessidade de uso do sistema de partida a frio para etanol.

MOTOR MELHOR DO QUE O CARRO

Com o TSI a Volkswagen pretende despopularizar a imagem de carro 1.0 fraco e assim atrair novos cliente para o Up!, esperando crescimento de 20% na procura pelo compacto. Contudo, o motor parece ser melhor do que o próprio carro, que apesar de moderno, bem construído com aços especiais e muito seguro, continua com seu pecado original: é pequeno para a maioria da freguesia brasileira e, por isso, caro em comparação com os concorrentes que oferecem mais espaço por preços parecidos ou menores.

As versões turbinadas do Up! que chegam às concessionárias na segunda metade de agosto (leia aqui) custam apenas cerca de R$ 3 mil a mais do que a mesmas opções aspiradas. Porém, o preço mais baixo, do Move Up! TSI, começa R$ 43,5 mil. Mas o desempenho tão superior do motor turbinado não combina com o acabamento pobre do interior – ainda que a maioria dos fabricantes cometa a mesma indigência em modelos da mesma faixa. Para ter coisa um pouco melhor, desembolsa-se mais de R$ 50 mil para ter a versão exclusiva Speed Up! com bancos em vinil, revestimento interno todo em preto e sistema multimídia com navegação. Será um bom teste para comprovar o que o brasileiro de fato valoriza em um automóvel.