logo

carro elétrico

Motores mais eficientes podem barrar avanço do carro elétrico

A evolução dos motores a combustão, com a redução do tamanho e aumento da eficiência pode representar mais uma barreira ao avanço dos carros elétricos. Essa é uma das conclusões de estudo da Deloitte sobre o tema, apresentado durante o Congresso SAE Brasil, que acontece de 2 a 4 de outubro em São Paulo (SP).
Author image

Giovanna Riato

04 out 2012

3 minutos de leitura

Durante o evento, Ivar Berntz, sócio da consultoria, revelou que mais de 70% das pessoas que responderam a pesquisa afirmaram que perderiam o interesse no carro elétrico caso o motor a combustão fosse capaz de rodar 32 quilômetros com um litro de combustível. “Parece absurdo, mas essa não é uma realidade tão distante”, avalia.

Em contrapartida, o levantamento concluiu também que o interesse pelo carro elétrico cresce à medida que os preços dos combustíveis evoluem. No Brasil os consumidores se mostraram sensíveis a essa variação. Eles admitiram que avaliariam mais criteriosamente a compra de um elétrico caso os preços da gasolina e do etanol aumentassem 23%. Na Alemanha a evolução precisaria ser superior a 90% para causar o mesmo efeito.

Outra conclusão do estudo é que as pessoas não estão dispostas a pagar mais caro pela tecnologia. “Os custos de propriedade são mais baixos, mas o consumidor não faz essa conta”, explica. Surpreendentemente, a pesquisa verificou que a maior tolerância ao aumento de preços acontece nos países emergentes.

Os chineses foram os entrevistados que mostraram maior flexibilidade, com propensão a pagar até mil dólares a mais por um carro zero emissão. No Brasil, 71% dos entrevistados no estudo assumiram que poderiam pagar em até 20 mil dólares por um automóvel com a tecnologia. Apesar disso, o consenso global é por esperar até que os preços destes modelos sofram redução.

DESAFIOS

O caminho para reverter a resistência aos modelos elétricos está em reduzir as diferenças de uso entre eles e os veículos convencionais. “Os consumidores querem, basicamente, versões elétricas de carros a etanol e gasolina”, resume Berntz. Segundo ele, os principais desafios tecnológicos para romper esta barreira são o aumento da autonomia da bateria e a diminuição do tempo de recarga.

Apesar de a maior parte dos entrevistados admitir que não roda mais do que 80 quilômetros por dia, eles gostariam de ter autonomia superios a 160 quilômetros. O tempo de recarga ideal está bem abaixo do atual, que varia em torno de oito horas. Os consumidores apontaram que meia hora seria o tempo adequado.

Nesse aspecto do estudo, os consumidores brasileiros se destacaram como os mais propensos a aceitarem períodos maiores de recarga. No entanto, 93% dos entrevistados no País acha essencial poder fazer isso em casa.

Carlos Motta, diretor de relações institucionais da Fiel Indústria de Veículos, lembra que estes desafios não devem ser encarados como impedimentos ao avanço dos elétricos no mercado. “Não podemos nos esquecer de que estes obstáculos não são maiores do que os já enfrentados pela indústria automotiva no início de sua história.” Segundo ele, é importante também que os governos trabalhem na concessão de incentivos para reduzir o impacto das novas tecnologias nos preços.