

Embora tenha consolidado seu caminho no mercado de automóveis com modelos de sucesso, a Honda entrou no País sobre duas rodas. Há 50 anos, as primeiras motocicletas importadas da marca começaram a desembarcar no porto de Santos (SP), inaugurando as atividades da Honda Motor do Brasil. Era o início das operações da empresa, que soube interpretar as demandas do consumidor brasileiro para crescer também em outras áreas.
Não demorou para as motos se popularizarem no Brasil, a ponto de dominarem largamente o mercado nacional. Hoje, de cada 10 motos vendidas, 8 são da fabricante japonesa. Parece, até mesmo, um daqueles casos em que a marca vira sinônimo do produto.
Este texto integra a cobertura especial dos 50 anos da Honda
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“O segmento das motocicletas foi o primeiro passo para uma operação sustentável no País”, diz Pedro Rezende, gerente geral de relações públicas da Honda do Brasil. “São 26 milhões de unidades já comercializadas e o modelo CG é o campeão de vendas no ranking. Ela foi a precursora da mobilidade em duas rodas.”

Com a reputação construída no segmento das motocicletas, a Honda não demorou para construir sua primeira fábrica no Brasil, em Manaus (AM), inaugurada em 1976. E ela germinou um plano mais ousado: o de expandir sua atuação em solo nacional. “A Moto Honda Amazônia é o complexo industrial mais verticalizado do mundo e não se limita à fabricação de motocicletas”, destaca Rezende. “Ali, são produzidos embalagens metálicas, moldes, ferramentas, tubos estruturais e componentes como escapamentos, rodas, guidões e chassis.”
De motos a roçadeiras
O sucesso com as motocicletas fez a Honda acreditar que poderia aplicar também suas inovações tecnológicas nos automóveis. Dessa forma, em 1992, o sedã Accord chegou como primeiro automóvel importado pela marca e, apenas cinco anos depois, a Honda inaugurou a fábrica de Sumaré (SP) para a produção do Civic. Hoje, a marca oferece um portfólio de automóveis modernos e promete mais novidades em breve.
Com disciplina oriental, a Honda seguiu adiante e concluiu que poderia ir além de motos e carros. Em 1973, começou a importar produtos de força até que, em 2001, a unidade de Manaus passou a fabricá-los.

São máquinas para agricultura, construção civil e embarcações, como motores estacionários, motobombas, roçadeiras, geradores e cortadores de grama. Os produtos de força representam em torno de 5% do faturamento da Honda em suas operações no País. Segundo Rezende, automóveis e motos dividem, meio a meio, a maior fatia do bolo.
Motos, carros, produtos de força… Como a Honda consegue alcançar o mesmo padrão de excelência em atividades tão distintas? A receita é simples: apesar de cada segmento ter características próprias, a filosofia da Honda se mantém intocável.
“A empresa desenvolve ferramentas para ajudar o cotidiano dos consumidores, mas, não é só isso. O mesmo pensamento é colocado em prática no desenvolvimento de todos os produtos, para que eles colham bons resultados no campo, na construção ou em qualquer outra área. O domínio das tecnologias da Honda estará sempre a serviço dos clientes”, explica.
Efeitos diferentes da pandemia
Uma das preocupações da companhia depois de cada produto vendido – seja moto, automóvel ou um gerador – é o relacionamento com o consumidor e o seu grau de satisfação com a marca. “Por isso, cuidamos para ter um pós-venda diferenciado, que transmita a seriedade da Honda, o alto nível de qualidade e o domínio de todas as competências das áreas onde atuamos e da cadeia de suprimentos”, destaca o executivo.
Segundo Pedro Rezende, o compromisso com a qualidade levou a Honda a adotar, internamente, a expressão Durability, Quality and Reliability (durabilidade, qualidade e confiabilidade), que resume o mantra da empresa na hora de entregar produtos e serviços que devem superar as expectativas. “Felizmente, esses atributos são percebidos pelos clientes, desde a compra até a experiência de uso, nos serviços de pós-venda e no momento da revenda”, conta.
A explosão da Covid-19 afetou as operações da Honda no Brasil de maneiras diferentes. As vendas dos automóveis sofreram maior impacto, principalmente, pela escassez de alguns componentes (como os semicondutores) – problema que não é tão relevante na fabricação de motocicletas.
Patrocínio

Motos e produtos de força em alta
Em contrapartida, as motos e os produtos de força registram evolução. No caso das motos, o segmento reverteu uma tendência de queda que começou em 2012 e perdurou por aproximadamente cinco anos.
CG é o veículo mais vendido do País.
A pandemia fez as pessoas preferirem o transporte individual em detrimento do público, além de beneficiar os profissionais que trabalham com delivery, por exemplo. “Os consumidores estão dando mais importância para a economia de combustível, a agilidade e a conveniência que as motos proporcionam”, salienta Rezende. A principal representante da Honda no segmento é a icônica CG, com 13 milhões de unidades licenciadas em 45 anos de existência. “É o veículo mais vendido do Brasil em todos os tempos”, celebra Rezende.

De fato, a CG é um case no mercado nacional. Por que, afinal, ela vende tanto no País? Na opinião do gerente geral de relações públicas, a procura desenfreada às concessionárias para comprar a CG se deve a uma somatória de fatores. “Com motor de 160 cilindradas, ela une desempenho, qualidade de pilotagem, economia e estabilidade. Os gastos com consumo e manutenção e o valor de revenda também jogam a favor.”
A CG é a responsável pelo domínio da Honda no mercado brasileiro, com 80% de participação em um universo que deverá ficar entre 850 mil e 900 mil motos vendidas em 2021. Além da CG, a Honda oferece uma vasta linha de motos nas categorias street, adventure, off-road, sport e touring.
A exemplo dos investimentos em tecnologias para os automóveis elétricos, a Honda adota iniciativas na eletrificação das motocicletas. Ela fez um acordo com Yamaha, Suzuki e Kawasaki visando o desenvolvimento de baterias substituíveis em motocicletas elétricas no Japão. A ideia da parceria é fabricar baterias mais sustentáveis, aumentando a autonomia das motos e reduzindo a emissão de CO2 em escala global.