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Motos: não dá pra encarar China e Índia na América Latina

A indústria brasileira de motos teria um imenso mercado para exploração nos países da América Latina, caso tivesse preço competitivo. No entanto, não chega a vender 100 mil unidades na região, que tem potencial de 1,3 milhão de unidades por ano.
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Redação AB

13 ago 2014

4 minutos de leitura

O problema não é o custo da produção, nem a carga tributária local. A fábrica da Honda em Manaus (AM), responsável por oito de cada dez motos produzidas no Brasil, é quase toda verticalizada: produz 80% das peças e sistemas usados. Além disso, não paga imposto de importação. Beneficiada pelas isenções fiscais da Zona Franca de Manaus (renovadas na semana passada por mais 50 anos), as fábricas de motos em Manaus estão isentas também do IPI, do ICMS e do Imposto de Renda. Recolhem apenas PIS/Cofins e o imposto municipal, ISS (5%).

Então, por que a moto feita no Brasil não é competitiva? “Porque na América Latina ela tem de disputar mercado com produtos de qualidade inferior e bem mais baratos”, justifica Paulo Takeuchi, diretor geral da Honda South America.

Juntas, China e Índia, as duas potências mundiais do setor (veja quadro abaixo), dominam o mercado latino-americano. Com exceção do Brasil, esses dois países são responsáveis por 80% das vendas no continente. E, como se sabe, China e Índia têm produção de baixo custo.

“Já fiz as contas e não consigo entender como eles podem entregar a mercadoria aqui, vinda do outro lado do mundo, a um preço que é menor do que os custos que nós temos apenas das peças necessárias para produzir uma moto”, disse Takeuchi.

O que explica, em parte, a grande diferença de preço, é que os países latino-americanos estão numa fase anterior à do Brasil em relação a exigências de emissões de poluentes. Para se adequar ao programa de controle da poluição do ar por motociclos e veículos similares, o Promot, as fábricas brasileiras tiveram de investir em tecnologia, eliminaram o carburador na maioria dos modelos e, mesmo os que permanecem carburados tiveram de se adequar à mais recente fase do programa, o Promot 4, que entrou em vigor em janeiro deste ano.

Nos demais países do continente praticamente não há exigências em relação a emissões de gases poluentes, o que permite a venda de veículos defasados tecnologicamente e, portanto, mais baratos.

O que conforta Takeuchi é que a Honda está criando uma boa imagem nesses países, mesmo com uma presença pequena em participação do mercado, pois vende produtos modernos e de melhor qualidade do que os chineses e indianos. “Temos uma boa imagem junto ao consumidor dos países latino-americanos. Na Argentina, ter uma moto Honda é um sonho de consumo”.

O dirigente acha que isso é muito positivo pensando a longo prazo, porque, acredita, a tendência é de que, com o tempo, esses mercados aumentem as exigências com relação a emissões. “Infelizmente essas exigências poderiam estar no âmbito do Mercosul, com troca de produtos sem impostos, o que privilegiaria o comércio regional. Esse era o conceito de mercado comum. Mas até agora não deu certo”, lamentou.

A Honda investe em tecnologia, é pioneira em muitas delas no Brasil, como a introdução de injeção eletrônica em motos de baixa cilindrada, em 2008; a introdução da tecnologia flex, em 2009; e agora o CBS, o sistema de freio conjunto (dianteiro e traseiro) que reduz o espaço de frenagem e diminui o risco de acidente.

É verdade também que China e Índia têm custo de produção e transporte e logística que não permitem às fábricas ocidentais acompanharem. Mas nem tudo isso junto justifica uma diferença de preço tão grande. Segundo o próprio diretor de relações institucionais da Honda, as motos chinesas vendidas na América Latina custam até 50% do preço da moto feita no Brasil. Com certeza tem um apetitoso Lucro Brasil nesse preço.

Os maiores mercados de motos do mundo em 2013:

1) Índia: 14,37 milhões
2) China: 11,63 milhões
3) Indonésia: 7,74 milhões
4) Vietnã: 2,79 milhões
5) Brasil: 1,51 milhão

Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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