
Veja aqui os dados e projeções da Abraciclo.
“Esse pequeno crescimento deve vir da concessão de crédito. Acreditamos que as novas regras para retomada do bem financiado em caso de inadimplência devem elevar a taxa de aprovação de crédito dos atuais 20% a 25% para algo entre 30% e 35%”, diz Fermanian.
Dois mil e catorze será o terceiro ano consecutivo de queda nas vendas, após o recorde de 2011, em que o mercado absorveu quase 2 milhões de unidades. Daquele ano para cá a mão de obra empregada nas fábricas baixou de 20,5 mil trabalhadores para 17,9 mil e a produtividade, de 104 para 80 motos ao ano montadas por operário.
“Até o fim do ano deve haver mais cortes”, diz Fermanian. Segundo o executivo, as indústrias se preparam para este patamar menor de cerca de 1,5 milhão de motos por ano com aumento de automação e menor dependência de mão de obra.
“Os fornecedores e também os concessionários terão de se adaptar a essa nova realidade”, diz. As projeções para 2015 também incluem queda de 55,6% nas exportações por causa da sobretaxação, pela Argentina, aos modelos que adquire de outros mercados. O ano atual deve fechar com 90 mil motos enviadas ao exterior. Para 2015 estimam-se 40 mil.
PERSPECTIVAS PARA CDC
Com a entrada em vigor da lei 13.043 em novembro, que facilita a retomada do veículo em caso de inadimplência, a Abraciclo acredita em melhora na taxa de aprovação das fichas preenchidas para a venda por Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
“O banco Panamericano estaria ampliando o número de operadores em todo o Brasil. Serão 400 até o fim do ano, além dos terceirizados que já atuam nas revendas”, afirma o presidente da Abraciclo. Fermanian recorda que a média diária de emplacamentos voltou às 6 mil unidades em dezembro, nível registrando no período anterior à Copa do Mundo.
A Abraciclo recorda que as vendas por CDC passaram de 32,8 mil unidades em outubro para 38,5 mil em novembro (alta de 17,2%) como reflexo do acordo firmado entre a Caixa Econômica Federal, o Banco Panamericano e a Fenabrave, federação que reúne as associações de concessionários.
DESEMPENHO REGIONAL
Todas as regiões geográficas do Brasil tiveram queda na venda de motos de janeiro a novembro de 2014 no confronto com igual período do ano passado. A mais acentuada, de 10,4%, ocorreu no Sul do País. “Os números refletiram as chuvas que atingiram a região”, diz o presidente da Abraciclo.
As vendas no Nordeste, que têm grande dependência dos consórcios, recuaram 7% em relação aos 11 meses de 2013 pela queda no número de lances para retirada da moto por consórcio. A Região Norte recuou em 5,1%, o Centro-Oeste em 3,6% e o Sudeste em 2,3%.
NOVEMBRO E ACUMULADO
A produção de motos em novembro somou 121,7 mil unidades, registrando queda de 15,8% ante outubro. No acumulado do ano, com 1,43 milhão de motocicletas, a retração chega a 10,2% e deve fechar 2014 com recuo de 12% em razão de férias coletivas e festas de fim de ano.
Em novembro, as fábricas de motos venderam às suas concessionárias 119,8 mil unidades, 7,2% a menos que em outubro. No acumulado do ano, com 1,31 milhão de motos repassadas, a retração é de 11,3%. A previsão da Abraciclo é de 1,44 milhão de motos e queda de 9% em relação a 2013.