
O crédito de R$ 10 bilhões do Move Brasil destinado para a aquisição de veículos foi consumido em sua totalidade na última sexta-feira, 20, por frotistas que ingressaram no programa federal. Com o fim dos recursos, e um ano inteiro ainda pela frente marcado por juros em alta, diesel caro e conflitos geopolíticos, as montadoras querem mais.
A indústria defende a perenidade do programa como uma forma de trazer algo de alento para um setor que amargou a queda de volumes ao longo de 2026, sobretudo no segmento de caminhões pesados. Agora o faz ainda de forma mais incisiva porque não há no horizonte outro fator que possa representar dias comerciais melhores.
Um dos nomes de peso desse mercado, a Scania quer que o Move Brasil volte à ativa com mais recursos e acredita que nas próximas semanas o governo federal deverá apresentar novidades nesse sentido.
“Nossa área de relações governamentais está conversando com Brasília. Também a Anfavea, a Fenabrave. O Move Brasil foi importante no primeiro trimestre e precisa seguir sendo para proporcionar mais volumes”, disse na sexta-feira, 27, o diretor de vendas da montadora, Alex Nucci.
Scania vendeu 1,2 mil caminhões durante Move Brasil
Segundo o executivo, o programa Move Brasil injetou 1,2 mil caminhões no balanço de vendas da montadora. Um volume importante se considerarmos que a empresa vem de um 2025 difícil com vendas e queda e perda de participação no mercado doméstico para outras marcas nos segmentos em que atua.
Com o fim dos recursos, o temor é de que os resultados dos próximos meses voltem ao patamar crítico dos meses anteriores à vigência do Move Brasil, causando uma inflexão.
“Nós estávamos produzindo veículos basicamente para o mercado externo no ano passado. O Move Brasil nos deu volumes e as linhas voltaram a ser configuradas para atender ao mercado interno. Isso leva tempo, de 3 a 5 meses, e impacta nas vendas. Se os volumes voltam a cair, começa tudo de novo”, contou Nucci.
Fenatran como vitrine para os produtos
O ano pinta como um período complicado segundo as projeções da Scania. Um exemplo disso é a expectativa em torno da Fenatran, o maior evento do setor e onde as montadoras costumam fechar negócio. A montadora acredita que na edição deste ano o evento será uma oportunidade para fazer relacionamento com clientes e apresentar produtos. Fechar negócios? Talvez.
“Ainda é muito cedo para se falar na feira, mas dependendo de como estiverem as coisas no segundo semestre, será um evento para conversar com clientes e mostrar os nossos caminhões. Se tiver negócio para fechar, tudo bem. Se não, não”, comentou o diretor de vendas.
Se no ramo dos caminhões as notícias não são tão animadoras, pelo lado dos ônibus há o que se comemorar. O sistema de BRT de Goiânia (GO), gerido por um consórcio de empresas locais, comprou oito ônibus urbanos movidos a gás que são equipados com chassi Scania.
O negócio representa uma espécie de marco para a montadora porque ela foi a pioneira no país na exploração do biocombustível em veículos pesados.
Depois de muitos anos de testes, iniciados por aqui em 2014, chegou o momento de tornar um produto de sua oferta viável aos transportadores. O veículo movido a gás, enfim, já pode ser considerado uma realidade comercial com o negócio fechado com os goianos.
A demanda tende a crescer. O Grupo HP, um dos maiores operadores de transporte do país, é uma das empresas que formam o consórcio local e, na sexta-feira, informou que o seu planejamento para 2030 envolve a aquisição de mais ônibus movidos a biocombustíveis e eletricidade. Um volume de cerca de 500 unidades.
“O ônibus a gás é uma alternativa viável na comparação com os modelos elétricos. O setor está se recuperando da pandemia ainda, perdemos muita demanda para outros modais, e a capacidade de investimento que temos hoje não consegue acompanhar o Capex necessário para eletrificar toda a frota”, disse Edmundo Pinheiro, presidente do Grupo HP.
