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Mudança de atitude

Como consultor conduzi diversas dinâmicas para grupos de trabalho. Lembro-me de uma delas, em que simulávamos um ônibus. Cada participante recebia um roteiro de como deveria se comportar. Tinha o motorista, o cobrador, o passageiro chato, o risonho, e por aí vai. A dinâmica era filmada para que víssemos posteriormente a reação de cada um durante a interação dos personagens. Buscávamos demonstrar como cada um se comportava, defendendo seus objetivos e interagindo com os demais.
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Redação AB

05 dez 2013

3 minutos de leitura

Tive o prazer de trabalhar com um grupo gerencial e outro de supervisores de produção. No grupo gerencial, o desconforto foi geral. Da compreensão da dinâmica à interpretação dos personagens, o nível de energia foi muito baixo.
No grupo de supervisores de produção, eles ouviram a explicação, leram os roteiros e rapidamente se mobilizaram para “montar” o ônibus. Colocaram as cadeiras na mesma disposição de um coletivo, viraram a cadeira do cobrador, e incorporaram seus personagens sem demora. O motorista era um caso à parte. Fazia os ruídos do motor, da porta abrindo, dava bronca no povo, pedindo para que se apertassem um pouco. Os passageiros começaram a interpretar seus roteiros e tudo fluiu muito bem, num alto astral tremendo, muitas risadas.

Quando vi o filme, ficou óbvio para mim, que o segundo grupo abraçou a dinâmica, vivenciou-a sem nenhuma preocupação do que estariam os outros pensando. Viviam o agora. O impacto neles foi outro.

O grupo gerencial também tentou, mas sempre com aquela sensação de que estavam “pagando mico”, que tinham coisas mais importantes a fazer. Sempre me perguntei, por que nos altos escalões, existe essa preocupação exacerbada em ser sério. Parece que bom humor, alto astral, risadas são contrários à rotina executiva. Claro que ninguém vai ficar rindo de problemas sérios, e nesse nível existem muitos. Mas levar tudo a ferro e fogo vai drenando as forças de quem tem pela frente uma rotina pesada. Você é pago para resolver problemas, eu sei.

A imagem do executivo sério, altamente concentrado no que faz, com pleno domínio do seu tempo (leia-se dedicado totalmente ao trabalho), é maioria entre as organizações. Deve-se, para benefício próprio, e do grupo de trabalho, criar momentos descontraídos e felizes, onde o ego fique em segundo plano. Neles, tomamos contato com o lado direito do cérebro, nos sentimos cúmplices uns dos outros, o prazer flui, e a vida fica mais leve.

Outro dia, fazendo exercício pelo condomínio onde eu moro, cruzei com o caminhão de lixo. Estava no final da minha caminhada, suado, cansado, dando uma olhadinha nos batimentos cardíacos. Os lixeiros passaram correndo por mim, completamente secos, e foram retirando os sacos das lixeiras nas casas brincando uns com os outros. Um deles olhou para mim e me disse sorrindo: “Vamos lá queimar essa barriga! Olha só (apontando para a dele)! Zero de gordura.”

Me deram uma lição de vida corporativa. Não importa o grau de dificuldade no trabalho. Atitude positiva, otimismo e senso de humor, resolvem boa parte dos problemas. Cultive esses hábitos saudáveis e disponibilize-se para os demais. Você perceberá uma mudança significativa no seu dia-a-dia.