Os grupos americanos – GM, Ford e Chrysler – saudaram a nova lei por resolver pendências entre 13 estados liderados pela California e os órgãos de transporte e ambientais do governo federal que não se entendiam. Porém, afasta-se a possibilidade de truques do passado, quando os três fabricantes ofereceram motores flex para compensar o alto consumo dos motores V-8, mesmo sabendo que o etanol tinha oferta minguada no mercado.
Ainda será possível ter valores diferenciados de consumo entre veículos pequenos e grandes, mas o que vale agora é o retângulo ocupado no solo pelas quatro rodas. Existe um sistema de compensação para atingir a média. Marcas que se concentram em modelos pequenos também terão que se esforçar para alcançar as metas. Fabricantes de carros esporte, como Porsche, serão penalizados pela combinação de motores potentes e “pegadas” no solo pequenas.
Duas certezas: tecnologias para poupar combustível já existem e o comprador terá que pagar mais por modelos menos equipados e de dimensões menores. Há recursos simples e baratos como pneus de baixa resistência à rodagem e lubrificantes de menor viscosidade. Outros mais caros, desde o sistema automático de parar e partir o motor em congestionamentos, até os híbridos combustão-eletricidade que encarecem os carros em até 30% (para estes o Congresso estuda incentivos monetários).
O governo estima que os veículos vão encarecer, em média, US$ 1.300 (R$ 2.600,00) ao longo de seis anos. Mas a conta tende a ser mais salgada. O preço da gasolina terá de subir no mínimo 50%, de forma permanente, para que os motoristas americanos abram mão dos padrões de costume. No mínimo deverão aprender a viver sem motores V-8, que ainda estão em 20% dos carros e comerciais leves, e aceitar dimensões externas diminuídas.
Será um longo aprendizado, talvez por isso comprem menos veículos com consequências econômicas de peso, mas o mundo agradecerá penhorado.
RODA VIVA
CARROS elétricos a bateria terão longo caminho a percorrer. Nos EUA, pesquisa apontou que menos de 5% dos motoristas considerariam a compra nos próximos cinco anos. Preço elevado, baixa autonomia e tempo de abastecimento são alguns dos inconvenientes.
CONHECIDO recurso dos quatro fabricantes tradicionais, aqui instalados, de vestir carrocerias novas em plataformas ou arquiteturas preexistentes terá imitações no exterior. Aliança Renault-Nissan já anunciou que dará um tempo, em função das dificuldades financeiras mundiais, em relação a novas plataformas. Utilizarão as atuais em vários dos futuros lançamentos.
POLO Bluemotion, apesar da previsão bem modesta de vendas feita pela própria Volkswagen, é iniciativa viável e elogiável. O pacote de recursos técnicos para melhorar o consumo de combustível, custando em torno de R$ 5.000,00, na realidade é 90% coberto por opcionais de conforto-conveniência já oferecidos no resto da linha. Ou seja, recebe-se um carro mais equipado, pronto para economizar.
DIA-A-DIA do Polo Bluemotion, com seu câmbio de 5 marchas específico, não se torna desagradável, nem exige utilização exagerada da alavanca de câmbio, tanto na cidade quanto na estrada. A economia, em especial em viagens, é muito interessante. As novas especificações resultaram em ganho relativo maior ao se usar etanol, se comparado à gasolina.
QUEM pensa que só combustível sofre a interferência de fraudadores está enganado. Motoristas também devem ficar atentos quanto à qualidade dos lubrificantes. Índices de não-conformidade, inclusive ausência de aditivos, subiram entre o final de 2008 e o começo desse ano, segundo a ANP, agência fiscalizadora. Alguns postos, além de combustível ruim, também vendem óleo sem qualidade.
___________________________________
[email protected]