
Mulally disse quase tudo que se poderia esperar: a Ford vai muito bem nas vendas globais, dispensou empréstimos do governo norte-americano, desenvolve novos produtos e dá ênfase à tecnologia para se tornar mais competitiva e agradar o consumidor. Em relação ao Brasil, recapitulou que há um investimento em curso de R$ 4 bilhões até 2015 para ampliação das unidades de Camaçari (de 250 mil para 300 mil unidades por ano), São Bernardo do Campo, Taubaté e Horizonte (Ceará) e lançamento de novos produtos.
O executivo demonstrou a satisfação da matriz com o desempenho da Ford no Brasil, onde os resultados positivos vêm se repetindo por 24 trimestres consecutivos. Ele afirmou não estar preocupado com o fim do incentivo às vendas com o IPI reduzido, em função do bom desempenho da economia e dos sinais de demanda em alta.
Mas ficou apenas nas entrelinhas durante a entrevista de pouco mais de uma hora o verdadeiro objetivo da viagem ao Brasil e Argentina do alto escalão da Ford. Mulally veio acompanhado de Mark Fields, presidente para as Américas, e de Jim Farley, que responde pelo marketing global da companhia. “Preciso contar primeiro ao presidente Luis Inácio Lula da Silva” – disse, referindo-se ao encontro que terá na quinta-feira com o presidente da República, depois de uma visita à presidente da Argentina, em Buenos Aires.
Mulally provavelmente anunciará a produção local de um novo carro da marca, iniciativa considerada indispensável para a empresa ganhar participação de mercado no País, onde detém 11,2% das vendas e mantém o quarto lugar no ranking. Não se trata do EcoSport, que tem uma nova geração pronta para entrar nas linhas de produção em Camaçari. A novidade deve ser um veículo da categoria do Fiesta (B), mas o projeto não será exatamente igual ao Figo, lançado na Índia. O Estadão de hoje, 7, é incisivo no caderno de Economia: “Ford vai ampliar investimentos e fabricar carro mundial no Brasil” — escreveu a jornalista Cleide Silva.
O executivo admitiu que vai reforçar os investimentos no País, que merece atenção crescente da companhia. Depois de explicar a venda da Volvo, Jaguar, Land Rover e a participação na Mazda como uma forma de avançar no programa One Ford, que valoriza a marca Ford, ele não esclareceu porque a empresa investiu na Troller – deixou a tarefa para Marcos de Oliveira, presidente da operação no Mercosul.

Foto: Executivos da Ford durante coletiva de imprensa no Brasil. À esquerda Alan Mulally. Ao lado, da esquerda para a direita, Marcos de Oliveira, Mark Fields, Alan Mulally, Jim Farley e Rogelio Golfarb.