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Marcelo de Paula, para AB
Para o economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, o mundo vive um momento distinto que ele chama de “estagnação benigna”, um cenário de retomada muito lenta do crescimento acompanhada de deflação, porém, sem incertezas que possam levar a uma nova recessão, como ocorreu no período 2008/2009. O grande beneficiário disso é o Brasil, cuja economia caminha bem, com aumento do poder aquisitivo da população, inserção de boa parte da população no mercado de consumo e situação política estável, o que dá confiança para quem deseja investir por aqui.
Barros explica que a expectativa de crescimento do Brasil para este ano é de 7,2% e para o ano que vem de 4,5%. Este último índice, aliás, deve se repetir nos anos seguintes e é considerado um bom número considerando a capacidade da economia nacional de atender a demanda crescente.
“Este ano teremos o terceiro maior crescimento mundial, embora o país ainda cresça um pouco abaixo do seu potencial. O que não é tão ruim assim, pois se trata de um avanço de forma sustentável”, comentou, lembrando que nos últimos 12 meses os anúncios de investimentos por parte das empresas aumentaram 140%.
A alta competitividade do Brasil na exportação de commodities tem muito a ver com essa situação. É curioso até. Embora haja críticos da pauta de exportação, já que produtos como minério de ferro e soja têm valor agregado baixo, foram eles que permitiram o acúmulo de mais riqueza, já que o preço de venda deles aumentou bem mais que o custo de produção.
“Isso gerou ao País ganhos de cerca de R$ 150 bilhões, permitindo a expansão de programas sociais, entre outras ações, que aumentaram a renda de muitos brasileiros e fortaleceu ainda mais a economia”, disse o economista.
Com a expansão da renda, setores de maior valor agregado, como o automotivo, por exemplo, foram beneficiados porque tem mais gente com poder de compra. Por outro lado, Barros observou que a altíssima competitividade do setor, que hoje conta com dezenas de montadoras instaladas, também beneficiou os consumidores, já que os preços dos veículos apresentaram queda.
Surfe
A situação do Brasil é tranquila em parte porque o País possui opções que outras nações concorrentes não têm. A demanda por produtos manufaturados arrefeceu no mundo por conta da crise e também da alta do câmbio. No entanto, o País surfa no crescimento astronômico da economia chinesa. E, como já foi citado acima, as commodities vendidas para a potência asiática, geram os recursos que aquecem a economia doméstica, mantendo o ritmo de produção de nossa indústria.