
“As rodas de fibra de carbono reduziram o peso do GT350R em cerca de 27 kg, são mais rígidas que as de alumínio e melhoram as respostas da direção”, afirma o supervisor de chassi da Ford Performance, Adam Wirth.
A Ford e o fornecedor australiano Carbon Revolution trabalharam juntos no desenvolvimento para a produção em massa das rodas, que só tinham sido oferecidas como item opcional por um fabricante de supercarros de baixo volume (a Koenigsegg) ou ao mercado de reposição.
Os testes mostraram que as rodas de fibra de carbono melhoram tanto os tempos de resposta da suspensão como a dinâmica do chassi e a qualidade de rodagem. A redução de peso, em geral, beneficia a dinâmica de um carro. Mas quando se baixa o peso não suspenso (representado por freios, cubos, rolamentos, rodas e pneus), os benefícios podem ser ainda maiores. Diminuição de tempos de arrancadas, freadas e menor desgaste dos componentes da suspensão são alguns deles.
A Carbon Revolution desenvolveu inovações para atender o programa do Shelby GT350R, que incluiu testes de impacto, exposição a raios ultravioleta e substâncias químicas, além de durabilidade em calor extremo.
Na pista, as medições mostraram que as rodas são expostas a temperaturas acima de 900 graus Celsius. Com isso, o projeto das novas peças de fibra de carbono seguiu a especificação térmica de carros de competição. A proteção térmica desenvolvida para as rodas usa a mesma tecnologia de revestimento cerâmico empregada pelas empresas aeroespaciais no tratamento das lâminas das turbinas. Os testes de durabilidade feitos pela Ford incluíram a exposição a ambientes com sais corrosivos e produtos químicos.
A fabricação das rodas começa com a criação da estrutura interna de carbono pré-formado. Ela é colocada dentro de um molde, junto com um chip de controle, e fundida com resina curada em alta temperatura. Esse processo resulta numa peça única e robusta, eliminando a necessidade de união ou cola de raios e componentes do tambor.
No processo de cura são feitas 61 checagens e o registro de mais de 246 mil pontos da peça. Uma etapa com tomografia computadorizada 3D produz mais de 18 mil imagens em raios-X. Se passar na inspeção, a roda vai para a usinagem do encaixe da válvula e dos furos de montagem, antes de ser pintada, revestida, montada e passar pela checagem dimensional para envio à linha do Shelby GT 350.