
A tradicional fabricante de motores MWM diversifica seu portfólio com a criação da nova unidade de negócio MWM Geradores para a produção e venda de geradores de energia no Brasil, cuja linha de montagem foi inaugurada na terça-feira, 26, na fábrica da empresa localizada na região de Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Com investimento total estimado em R$ 20 milhões pelos próximos 10 anos em produto, fábrica e fornecedores e rede de distribuição. Deste total, R$ 5 milhões já foram utilizados para alocar a nova linha dentro da planta de motores. Com isso, devem ser gerados cerca de 1 mil novos empregos, incluindo a cadeia de produção, distribuição e serviço.
A capacidade da nova linha é de 4 mil unidades por ano considerando três turnos de trabalho. Em seu primeiro ano, a MWM prevê a produção de 600 unidades, volume que deve dobrar em 2020, em uma estimativa conservadora. Ela abastecerá o mercado brasileiro, mas também a América Latina, sendo a Colômbia, Peru, Chile, Uruguai e Paraguai, além do México, os principais destinos.
“Entrar no segmento de energia é uma quebra de paradigma: a MWM sempre fabricou motores para quem fabrica veículos ou mesmo para quem produz geradores. Nunca estivemos na ponta, sempre fomos B2B. E hoje este é um passo a mais no Brasil e muito importante não só para a MWM, mas para a Navistar”, afirma o presidente e CEO da Navistar Mercosul, José Eduardo Luzzi.
O executivo explica que o novo negócio deve injetar receitas adicionais na ordem de R$ 2,7 bilhões pelos próximos 10 anos, o que elevaria os ganhos da companhia a novos patamares no Brasil: no ano passado, seu faturamento líquido foi de R$ 1,3 bilhão, com crescimento em todos os segmentos em que atua: as vendas de motores cresceram 15%, enquanto a divisão de peças registrou índice de 16%. A empresa também viu as exportações saltarem 70%.
Para Luzzi, apostar em um novo nicho do mercado é uma grande oportunidade para a MWM. “A crise profunda que tivemos trouxe dificuldades para alguns fabricantes do segmento de geradores de energia no Brasil. Com isso, há uma carência muito grande neste setor. Nós vamos continuar vendendo nossos motores para o segmento, mas também vamos atuar nele”, comenta.
Segundo o executivo, a nova linha já está produzindo suas primeiras unidades, cujas vendas são demandas do setor marítimo, construção civil e condomínios residenciais.
MERCADO PROMISSOR
O setor de energia é um dos que mais cresce no País: uma pesquisa encomendada pela MWM Geradores aponta que entre 2018 e 2022, enquanto o PIB brasileiro deve crescer 2,7% em média, o consumo de eletricidade subirá 3,2%. Mesmo na crise, entre 2014 e 2017, enquanto o PIB brasileiro recuou 1,3% em média, o consumo de energia subiu 0,2%. Em 10 anos, contando a partir de 2017, o consumo terá crescido 43%.
Com isso, o mercado de geradores vem apresentando avanços significativos a cada ano desde 2016, após atingir o pico em 2012, com 17 mil unidades. No ano passado, o mercado ficou em 8 mil geradores e a estimativa é de que o volume chegue a 15 mil até 2024.
“É uma demanda importante e uma grande oportunidade de negócio. Atualmente, as hidrelétricas respondem por 66% da energia produzida no Brasil e a tendência é que essa participação caia para 50% em 10 anos por vários motivos, entre eles, o custo da construção de novas hidrelétricas – vide Belo Monte – além de fatores que não se pode controlar, como as chuvas cada vez mais escassas, fora a complexidade na distribuição”, argumenta Luzzi.
A linha de geradores da MWM no Brasil se une à da Argentina, que começou em agosto do ano passado. A MWM Geradores ingressará no mercado em duas fases: a primeira, de início imediato, oferecerá uma linha de geradores a diesel que abrangerá as faixas de potência entre 30 kVA a 770 kVA em 50Hz e de 40 kVA a 800 kVA em 60Hz, para aplicações diversas em diferentes setores, como condomínios residenciais e industriais, agricultura, sucroalcooleiro, avicultura, telecomunicações, hospitais, supermercados e construção civil entre outros. Para geradores acima de 600 KvA, a empresa conta com parcerias com a MAN, Scania e Volvo.
Em uma segunda fase de lançamentos, previsto para o segundo semestre deste ano, a empresa terá em seu portfólio geradores maiores, de 800 kVA a 1800 KvA, além de modelos abastecidos com etanol e gás com motores de 4 cilindros e que serão lançados entre o fim de 2019 e o início de 2020.
No total, serão 23 modelos de geradores com um sistema modular capaz de fornecer até 234 configurações diferentes. A maior parte da rede de distribuição, 55%, ficará a cargo da própria MWM para parte da região Sudeste e toda a região Nordeste do Brasil. Norte e Centro do País ficará nas mãos da BRG, que deterá 30% da distribuição no País, enquanto a CuriTek ficará com 15%, na região Sul. Os pontos de serviços serão 567, incluindo 50 da própria MWM Geradores, além de pontos de parceiros, como a WEG, Volvo Penta, Scania e da MWM Motores.