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Não bastam elogios

Alguns paradigmas começam a ser quebrados nesses tempos de bonança ou mesmo de euforia no cenário automobilístico. Um bom exemplo é a o da terceira geração do Focus, médio compacto da Ford, produzido na Argentina e vendido aqui sem imposto de importação. Se, de fato, não tivemos a segunda geração, pelo menos esta última versão começa a ser vendida no Brasil apenas seis meses depois da Europa. Por ironia, a defasagem sobrou agora para os EUA. No país de origem da marca, ainda se fabrica a primeira geração porque as vendas de compactos (como o Focus se enquadra lá) cresceram tão rápido que não deu tempo de reagir.
A Ford também quer fazer uma inversão entre hatch e o sedã no mercado brasileiro. O segmento altamente competitivo – e lucrativo – de médios-compactos mostra forte presença dos sedãs, liderados por Civic e Corolla. Assim, a marca americana tentará mudar os paradigmas e inverter para 70% a proporção do sedã, no caso do Focus. Encolheu até a diferença de preços (no máximo 2%) entre os tipos de carroceria. Apesar de o hatch manter o estilo mais ousado, o sedã oferece um dos maiores porta-malas (526 litros, segundo a fábrica) e espaço interno entre os melhores do segmento. O desenho da parte traseira é um ponto fraco, porém o conjunto está equilibrado.
O Focus não cresceu apenas nas dimensões internas e externas. Destaca-se por recursos eletrônicos inéditos nesse segmento. Comando de voz pode acionar ar-condicionado (único com duas zonas de temperatura), rádio, leitor de CD, dispositivo USB/Ipod e celular com bluetooth. O sofisticado computador de bordo permite selecionar grau de assistência e resposta da caixa de direção eletroidráulica entre três modos – normal, conforto e esporte. Curiosamente, o computador não possui o útil cronômetro para monitorar percursos nesses tempos de trânsito difícil. Tem sensores traseiros de estacionamento e teto solar de série (versão Ghia), mas não oferece sensores de faróis e chuva.
Guiar o Focus sempre foi uma boa experiência graças à suspensão independente nas quatro rodas. Evoluiu com a fina calibração e o monobloco mais rígido. Freio ABS aperfeiçoado controla com precisão uma eventual freada forte em curvas (função CBC). Gerenciamento da direção faz realmente diferença, tanto no modo esporte, como no conforto, mas a programação pelo computador de bordo se arrasta por um longo menu. Carro maior, massa maior, porém o desempenho quase não foi afetado: motor de 2 litros/145 cv – flex só dentro de seis meses. Câmbio automático de comando (agora) manual seqüencial iria bem com cinco em vez de quatro marchas, para garantir silêncio de marcha ainda melhor e diminuir consumo de combustível.
Preços são muito competitivos – R$ 58.200,00 (hatch GLX manual) a R$ 74.900,00 (sedã Ghia automático) – e as versões antigas continuam, reposicionadas para baixo. O sedã anterior, no entanto, deve sair logo de linha. Entre 13 modelos no mercado (incluindo importados com imposto da Kia, Subaru e Volvo), a vida do novo Focus não será nada fácil, mas as chances de sucesso aumentaram claramente. Não bastam elogios, como no caso do Mégane. Tem que vender, é a aposta da Ford.
Alta Roda nº 489
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10 de setembro de 2008.
RODA VIVA
RECUO das vendas no mês passado (sobre julho) parece dentro das previsões, embora tenha sido o agosto recordista. Na realidade, dois dias úteis a menos também contribuíram. Vendas acumuladas nos últimos 12 meses (diluem a sazonalidade), de 2,87 milhões de unidades, representam um salto de 27%, crescimento espantoso. Se diminuir até dezembro para 20% ou 22%, está muito bom.
EMBORA ainda desconverse, GM importará o Chevrolet Malibu americano, em 2009, para brigar com o Fusion mexicano. Estratégia provável é balancear 35% de imposto de importação dos EUA com a alíquota zerada do México, de onde vem o Captiva. A Honda já faz isso com CR-V e Accord. Ford deve seguir o mesmo caminho: crossover Edge vem do Canadá, em outubro, também taxado em 35%.
LINHAS atraentes e arrojadas dão o tom do novo A4 e sua longa distância entre eixos de 2,81 m. Versão de topo (motor V6/269 cv e tração integral, 60% na traseira) parte de R$ 229.000,00, mas devolve em puro prazer de dirigir. Eletronicamente cinco parâmetros mudam (da direção ao acelerador, passado por suspensão e câmbio) ao toque de um botão, entre conforto e esportividade. Versões de quatro cilindros, preços a definir.
FÁCIL saber por que o seguro DPVAT (responsabilidade civil obrigatória) é tão caro para as motocicletas. Estatísticas do primeiro semestre indicam: elas responderam por 44% das indenizações, 52% do número de vítimas e representaram apenas 28% da frota segurada. Não há cálculo atuarial que resista.
POUCOS perceberam: os 6 milhões de veículos com motores flex fabricados de março de 2003 até julho último já tinham superado, um mês e meio antes, o total de 5,6 milhões de unidades a álcool produzidos entre 1979 e 2007. Cinco anos que valeram por 28, numa nova fase da indústria.
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cria

10 set 2008

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