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“Não estou na liderança por uma questão de gênero”, diz única mulher no conselho da BMW

Ilka Horstmeier conta como alcançou a liderança global da organização e em quais habilidades os profissionais do setor automotivo precisam investir
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Giovanna Riato

07 nov 2024

5 minutos de leitura

Do alto de seus 55 anos, Ilka Horstmeier é um perfil raro no setor automotivo. Uma mulher no conselho de administração de uma grande fabricante de veículos – no caso, o BMW Group. Ali, ela é responsável pelas áreas de recursos humanos e relações trabalhistas. Faz isso com enorme engajamento para gerar impacto social positivo a partir da empresa e, ainda, desenvolver as habilidades que a indústria automotiva precisa para o futuro.

Como boa alemã, a executiva é bastante reservada sobre a vida pessoal. Ela defende o equilíbrio e, até mesmo, a integração entre o dia a dia profissional e pessoal e admite que, embora tenha se dedicado intensamente ao trabalho nos 30 anos que está na organização, “nunca poderia ter planejado tornar-se membro do conselho”.

Segundo ela, seria uma ideia um tanto quanto louca, já que trata-se de um grupo pequeno, de menos de meio por cento do quadro de colaboradores.


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Na entrevista a seguir, feita durante uma visita da reportagem à fábrica que a montadora tem em São Luís Potosí, no México, ela fala do que foi importante ao próprio crescimento na carreira e defende que não alcançou a posição que ocupa por ser mulher – apesar de reconhecer que é uma exceção e celebrar que 50% dos CEOs da companhia na América Latina são talentos femininos, com a Maru Escobedo, no Brasil, e a Ivana Dip, na Argentina.

Vale lembrar que, localmente, as mulheres são apenas 21% do quadro de funcionários da indústria automotiva. Em 27% das empresas, elas ainda ganham menos do que os homens em posições equivalentes e, no cenário geral, enfrentam mais dificuldades para ascender profissionalmente. Os dados são da pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, feita por Automotive Business.

Por fim, Ilka trata da preocupação que tem com o desenvolvimento de novas habilidades entre as pessoas que trabalham no segmento e do que entende ser essencial aos profissionais do futuro.

Você é a única mulher no conselho do BMW Group. O que fez a diferença para que você chegasse nessa posição?

Estou no BMW Group há quase 30 anos. Quando me tornei membro do conselho, estava na empresa há 25 anos. Passei 20 anos na produção e sempre fui muito ambiciosa em relação à responsabilidade que eu queria assumir. Dei vários passos na produção, liderei a área e tenho uma verdadeira paixão pela organização. 

A responsabilidade que você assume, o que você aprende, determinam como você cresce em uma empresa. Mas nunca poderia ter planejado me tornar membro do conselho. Seria uma ideia louca porque estamos falando de um grupo de menos de meio por cento do quadro de colaboradores.

Mas ficou claro que, se você faz um bom trabalho, entrega bons resultados, aprende e cresce em uma empresa, se tem paixão pelo que faz, isso pode acontecer. E preciso reforçar que essa não é uma questão de gênero. Não assumi a posição por ser mulher.

Como se preparar ao longo da carreira? Qual é a sua formação?

Eu estudei administração de empresas, mas diria que sou uma engenheira formada e treinada no dia a dia, algo não oficial. Sou de Duisburgo, cidade que fica no meio da Alemanha, perto de Düsseldorf. Eu estudei em Saarbrücken, próximo à fronteira com a França. E então eu entrei para a BMW, que foi meu primeiro emprego. 

Como foi a sua jornada na organização? 

Comecei como trainee na BMW por um ano, na área de Recursos Humanos. Depois de concluir o programa, fiquei na área por quase dois anos e fui para a produção para trabalhar em temas relacionados ao RH. Estava lá para apoiar o trabalho em equipe e os novos modos de colaboração daquela época. Isso foi quase 30 anos atrás, então estamos falando de processos de melhoria contínua.

Segui na produção mais e mais e, no fim das contas, me tornei chefe da planta de Dingolfing, que é a maior fábrica que o BMW Group tem na Europa.

E como é sua vida fora da BMW? 

Maravilhosa. Acredito na integração entre trabalho e vida pessoal. A BMW faz parte da minha vida todos os dias e isso é a chave para o sucesso. Se você gosta do seu trabalho, ele é parte da sua vida privada e também enriquece sua rotina.

Qual é o seu carro favorito da BMW de todos os tempos?

São muitos. Eu amo todos eles. Mas se eu precisar escolher um, diria que é o i3

Qual é o seu propósito? O que mantém você avançando na carreira?

Cuidar das 155 mil pessoas que trabalham hoje no Grupo BMW. 

Falando em pessoas, o BMW Group tem 5 mil funcionários na América Latina. Existe alguma habilidade específica ou algo que esse grupo agrega especialmente à organização?

Nessa região, temos trabalhadores qualificados e realmente focados em aprender e crescer, muito apaixonados e comprometidos com o que fazem. Além disso, há uma flexibilidade maior e disposição para contribuir, ir para o exterior, voltar, trazer o conhecimento para cá.


– Clique aqui e baixe a pesquisa Diversidade no Setor Automotivo


Infelizmente, ainda não estive no Brasil, então não posso responder a essa pergunta adequadamente, mas vejo muito esse cenário na nossa fábrica do México.

Qual é a habilidade que você considera mais importante para o futuro do trabalho?

Competências Stem (acrônimo em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) são o futuro, o que realmente nos impulsiona para criar uma BMW elétrica, digital e circular. 
Precisamos estimular crianças nessa área e gerar conexão entre elas e temas de Stem. Quando falamos disso, pensamos especialmente em jovens meninas.

Essas são habilidades do futuro, necessárias à solução de muitos problemas que temos neste mundo. Em segundo lugar, como estamos construindo carros, precisamos de um ótimo trabalho em equipe. Para fazer os veículos dos sonhos dos nossos clientes, é necessária muita integração.