E quando se fala em futuro é importante lembrar que não somos eternos e, se quisermos manter o crescimento que conquistamos hoje, precisamos passar nosso conhecimento aos mais novos, de forma multiplicadora, porque as expectativas de aumento na produção e vendas de automóveis são grandes.
Já somos o sexto maior fabricante de veículos zero km do mundo, com a fabricação de 3,64 milhões de automóveis no ano de 2010, e com expectativas de dobrar o número até 2016. Em artigos anteriores, comentei que a profissão de engenheiro está em alta e estimativas falam na necessidade de 60 mil novos profissionais por ano. Pois, bem, o déficit é grande.
Resolver a questão da falta de mão de obra é buscar uma solução para algo maior, que envolve a parte estrutural do País, como o problema da educação. Apenas uma pequena parte da população tem acesso a curso universitário e muitos desistem nos primeiros anos, principalmente quando falamos de engenharia.
Este é um problema que está além da nossa competência, mas a indústria pode contribuir para minimizar a falta de mão de obra especializada, justamente investindo na expertise dos profissionais que atuam no setor.
Outra forma é valorizar mais os especialistas. Na Europa, Japão e Estados Unidos, grande parte dos mestres e doutores atende às indústrias no desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Já no Brasil, estão nas universidades. Este é um quadro que pode e deve ser revertido.
Como? É preciso iniciar um movimento em conjunto, que congregue montadoras, fornecedores e entidades de ensino para oferecer o maior número de treinamentos possíveis aos profissionais que atendem nossa indústria. Se isso não começar já, o risco da falta de mão de obra qualificada aumentar é grande.
É preciso lembrar que, historicamente, os profissionais de engenharia são muito requisitados por outros setores da economia, e isso gera concorrência por melhores remunerações. E, para piorar este quadro, em breve teremos a exploração do pré-sal que, com certeza, irá ‘roubar’ engenheiros do setor automotivo.
Assim, a indústria automotiva precisa multiplicar seus recursos humanos, e também investir no aperfeiçoamento contínuo dos que já trabalham no setor, com maior participação em cursos de especialização.
Neste ponto o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva pode contribuir de forma precisa, pois uma das áreas de atuação é a elaboração e execução de treinamentos voltados à qualidade, seja no desenvolvimento dos produtos, na manufatura ou nos serviços da indústria automotiva.
Esta é, inclusive, uma cultura que o setor deve difundir mais, em todos os elos da cadeia: o investimento em treinamentos. Aqui no IQA, iniciamos um novo projeto, o de formação EQF – Especialista em Qualidade de Fornecedores que vem ao encontro das necessidades das empresas do setor, que precisam trabalhar juntas e em cooperação para atingir objetivos comuns.
O desenvolvimento deste treinamento nasceu das entidades mães do setor – Anfavea e Sindipeças – que vislumbram necessidades comuns entre os diferentes players da indústria automotiva em prol de um bem maior: o crescimento sustentável de todos nós.
*Mário Guitti é superintendente do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva.
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