O ministro discursou após o presidente da montadora no Brasil, Luiz Pedrucci, cobrar definições sobre o programa: “Estamos em momento chave de decisão sobre um novo ciclo de investimentos no Brasil, por isso esperamos pelo Rota 2030. Tenho certeza que o ministro Marcos Jorge sabe da importância do programa para o setor. Precisamos de regras claras, pois competimos com outras localidades para receber investimentos como Romênia, Colômbia e Argentina. Lutamos para que o Paraná seja o destino desses recursos”, afirmou em seu discurso o executivo.
O Rota 2030 parou de andar desde que o MDIC e o Ministério da Fazenda entraram em colisão sobre a concessão de incentivos fiscais à indústria automotiva, que pelo programa anterior, o Inovar-Auto, recebeu cerca de R$ 1,3 bilhão por ano em isenções tributárias em troca de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e engenharia no Brasil.
As discussões e negociações sobre o novo regime automotivo começaram em maio e as conclusões estavam previstas para ser anunciadas em agosto. Com o embate entre Fazenda e MDIC, a aprovação foi sendo sucessivamente adiada para outubro, depois para dezembro. No início do ano o ministro Marcos Pereira, principal defensor do programa, pediu demissão do MDIC deixando Lima interino no seu lugar, que então indicou o fim de fevereiro para aprovar o marco regulatório. Mas a resistência da área econômica do governo persistiu e o programa perdeu perspectiva de prazo.
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ÚLTIMA ESPERANÇA IMPROVÁVEL |
Segundo apurou Automotive Business, alguns representantes do setor próximos às negociações em Brasília disseram que a última esperança é ver o programa aprovado pelo governo em abril. Isso porque no começo do mês será encerrado o prazo para desincompatibilização de membros do Executivo que queiram se candidatar a cargos públicos no próximo mandato. É o caso do ministro Henrique Meirelles, cotado para concorrer nas eleições presidenciais de outubro como vice na chapa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Como o ministro se colocou pessoalmente contra a concessão de qualquer benefício fiscal à indústria e usou seu prestígio para barrar o MDIC, algumas fontes ouvidas argumentam que sua saída da Fazenda poderia desimpedir o caminho para a aprovação do Rota 2030.
É mais provável que não seja tão simples, pois Meirelles deverá fazer seu sucessor na Fazenda, onde boa parte do corpo técnico também é contra a concessão de benefícios fiscais como proposto no Rota 2030. “Meu sentimento é que o programa não é mais prioridade para o governo, depois da troca de ministros não haverá mais tempo para aprovar tudo antes das eleições, acho que vai ficar para o próximo governo resolver essa questão”, disse José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, associação que reúne importadores e fabricantes de veículos. Durante o ano passado, Gandini foi um dos representantes do setor que participou ativamente das negociações sobre o Rota 2030.
Até agora, membros do Ministério que abastecem a imprensa com notícias contra o programa se mostraram insensíveis às ameaças veladas da indústria, que em todas as declarações de seus representantes deixa a entender que, sem regras claras para o futuro, investimentos serão cancelados, fábricas de menor volume poderão ser fechadas e seria interrompido o desenvolvimento tecnológico agregado aos veículos produzidos no País enquanto esteve em vigor o Inovar-Auto. As fontes da Fazenda duvidam disso, alegando que os investimentos serão feitos de qualquer forma por causa do tamanho do mercado brasileiro. Muito em breve será possível saber quem tem razão.