
Dossa revelou que atualmente o índice de nacionalização da fábrica brasileira está em 66%. Ele avalia que é fundamental aumentar esse porcentual e utilizar maior número de componentes nacionais no País para tornar a operação competitiva, por dois motivos principais: a escalada da cotação do dólar encarece as importações de componentes, ao mesmo tempo em que é necessário elevar as compras de fornecedores locais para poder abater o valor dos 30 pontos porcentuais extras de IPI determinados pelo Inovar-Auto, a política industrial do governo para o setor automotivo.
“Não estamos só falando de sistemistas, mas também dos fornecedores deles, de segundo nível para baixo, pois (com o sistema de rastreabilidade em vigor) não adianta nada comprar componentes aqui com grande conteúdo importado”, destaca Dossa. Segundo o executivo, no caso da Nissan no Brasil existem várias oportunidades de nacionalização de insumos básico. “Cerca de 50% do aço que compramos vem da Coreia. Podemos comprar aqui, é mais barato quando se considera os custos logísticos envolvidos”, aponta. Ele acrescenta ainda que também há bastante espaço para aumentar as compras no País de peças plásticas e de alumínio.
Com a unificação do departamento de compras da Aliança também no Brasil, Dossa avalia que a integração deve acelerar a nacionalização da Nissan com o uso da base de fornecedores já estabelecida da Renault. “Por exemplo, a Renault já compra aqui 86% do aço que utiliza e tem vários fornecedores que podemos compartilhar”, diz.
OPORTUNIDADE NA CRISE
Com as vendas no mercado brasileiro recuando à razão de 8% a 9% este ano, Dossa avalia que esse cenário pode ser uma oportunidade para o crescimento da Nissan no Brasil. “Todo mundo está se retraindo e nós estamos chegando com novidades, vamos usar isso a nosso favor”, diz o executivo. “Somos patrocinadores da Olimpíada no Rio em 2016, inauguramos fábrica, lançamos o New March em abril passado, estamos apresentando agora o New Versa, iniciamos a atividade do estúdio brasileiro de design. Enfim, aumentamos nossa exposição e vamos no caminho certo para aumentar passo a passo nossa participação de mercado”, elenca.
De janeiro a outubro a Nissan vendeu no Brasil 56,2 mil carros, dos quais cerca de 10 mil são do New March nacional, lançado no fim de abril e há apenas seis meses no mercado. Com a transição do produto importado do México para o feito em Resende, somado ao desaquecimento da economia, o desempenho da marca desacelerou 13% em relação a 2013 e o market share caiu levemente de 2,2% para 2,1%. “Os altos e baixos são normais. Os volumes baixaram no País, mas o importante é que deveremos ganhar participação nos próximos meses. Queremos chegar a 2,5% até abril de 2015 ano e subir para 3,2% no ano seguinte”, projeta Dossa.
Uma das estratégias para alcançar esse objetivo é fazer o número atual de 162 concessionárias crescer gradativamente. “A rede está muito concentrada em grandes cidades, mas onde estamos temos desempenho superior”, afirma Jose Luis Valls, vice-presidente e chairman das operações da Nissan na América Latina. Ele destaca que no Rio de Janeiro a marca tem 4,2% de share, 3,6% em São Paulo e 3,7% em Recife. “Não temos uma meta de abertura de novas lojas, estamos negociando para aumentar a presença em lugares onde ainda não estamos e assim capturar mais vendas”, explica.
Valls diz que a mesma estratégia está sendo usada em outros países sul-americanos para elevar as vendas da Nissan na região. Recentemente a marca inaugurou uma subsidiária no Chile e tem planos de ampliar negócios no Peru, Colômbia e Equador.
O executivo afirma que a Nissan quer replicar na parte sul do continente americano ao menos parte do sucesso que já tem no norte, especialmente no México, onde a marca domina mais de um quarto do mercado e exporta para cerca de 100 países de 80% a 85% da produção das duas fábricas de Aguascalientes, projetada em 800 mil unidades este ano e com estimativa de superar 1 milhão “em mais um par de anos”, segundo Valls. A unidade mexicana é beneficiada pela proximidade com os Estados Unidos, para onde seguem 80% dos embarques de carros para o exterior. Com a demanda em alta, a Nissan decidiu construir uma terceira planta no país, desta vez em associação com a Daimler, para produzir sobre uma mesma plataforma veículos Mercedes-Benz e de sua divisão de luxo Infiniti.
“Usamos o mesmo modelo da fábrica mexicana para construir Resende, muitos empregados foram treinados em Aguascalientes, e a planta brasileira já tem índices de qualidade até superiores”, informa Valls.
Contudo, ao menos por enquanto, Valls reconhece que a prosperidade mexicana não se repete ao sul do continente. “Existem muitos altos e baixos este ano, com crescimento em mercados como Peru e Colômbia e retrações importantes no Brasil, Argentina e Chile. Com isso, este ano deve ser de queda para a região e para 2015 esperamos um ano estável, com os mesmos números de 2014”, diz.