
A Nissan confirmou que vai demitir 12,5 mil pessoas em todo o mundo após apresentar seu balanço financeiro do primeiro trimestre do ano fiscal 2019-2020, referente a abril até junho. O total de demissões representa 9% de sua força total de trabalho global. A decisão foi comunicada na quinta-feira, 25, pelo presidente da Nissan, Hiroto Saikawa, na sede da empresa em Yokohama, no Japão.
O executivo disse aos jornalistas presentes que os cortes afetarão principalmente os trabalhadores das fábricas, embora não tenha detalhado em quais unidades. Em sua apresentação durante a divulgação do balanço trimestral, Saikawa mostrou que serão dispensadas 6,4 mil pessoas em oito locais não especificados até o fim do ano fiscal, que encerra em 31 de março. Outros 6,1 mil serão demitidos no ano fiscal seguinte. Ele reforçou que e a decisão é efeito de menor lucro no período, forçando a montadora a cortar os gastos. O aumento dos custos das matérias-primas e as flutuações cambiais também prejudicaram os lucros (veja resultados abaixo).
Com isso, a empresa acrescenta que reduzirá sua capacidade de produção global em 10% e também diz que vai diminuir seu portfólio em pelo menos 10% até o fim do ano fiscal 2022.
“Nossa situação agora é extremamente severa”, disse Saikawa. “As vendas devem começar a se recuperar, mas isso levará tempo. Alguns dos esforços já começaram”, disse o executivo se referindo às medidas de cortes.
QUEDA GENERALIZADA
De abril a junho, o lucro da Nissan registrou queda de quase 95%, passando de 115,8 bilhões de ienes para 6,4 bilhões de ienes, o que é equivalente a US$ 59 milhões. A receita das vendas diminuiu 13%, para um valor em moeda local equivalente a US$ 22 bilhões.
A montadora já vinha amargando resultados negativos, em parte, abalados pelo escândalo envolvendo seu ex-presidente Carlos Ghosn. No ano fiscal 2018-2019, que terminou em 31 de março, o lucro anual da Nissan caiu para menos da metade em comparação ao resultado do exercício anterior, para algo em torno de US$ 2,9 bilhões, o pior desempenho desde a crise financeira global de 2009.
No trimestre, o volume das vendas globais da marca recuou 6%, para 1,23 milhão de veículos. Os negócios caíram em mercados importantes para a Nissan, como o próprio Japão, além dos Estados Unidos e Europa. Também foram menores nas regiões da América Latina, Ásia, Oceania, Oriente Médio e África, que juntas somaram 174 mil unidades, queda de 13% sobre o volume registrado em mesmo trimestre do ano fiscal passado.
Só na China que a empresa conseguiu manter o volume de vendas em alta no trimestre, de 2,3%, ao emplacar 344 mil unidades, garantindo um aumento de 0,5 p.p., para 5,7% de participação no maior mercado automotivo do mundo.
OLHANDO EM FRENTE
Além das medidas emergenciais agora conhecidas, a Nissan disse que continuará focada no crescimento e na transformação a partir do seu plano estratégico de sustentabilidade Nissan Intelligent Mobility, o que inclui investimentos substanciais em tecnologias. Entre as medidas, está a implantação e evolução do sistema de assistência ao motorista ProPilot, bem como o lançamento de veículos elétricos, incluindo os modelos e-Power, em novos mercados.
Seu plano também contempla a diversificação de negócio, como o recém anunciado acordo com a Waymo para explorar serviços de mobilidade autônoma no Japão e na França.