
A Nissan vai cortar a produção em sua principal fábrica no Japão, em Kyushu. Segundo informações da Reuters, a montadora vai deixar de fabricar um terço do volumeplanejado para este mês, o que deve afetar a montagem de um modelo crossover Rogue. A empresa enfrenta uma fraca demanda nos EUA por sua linha envelhecida.
A montadora japonesa relatou na quinta-feira, 25, uma queda quase total no lucro de abril a junho e cortou sua previsão para o ano inteiro depois de ser forçada a oferecer grandes descontos nos EUA, destacando o risco crescente que enfrenta em seu maior mercado.
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Ao contrário dos rivais Toyota e Honda, a Nissan não oferece modelos híbridos nos EUA e, portanto, não se beneficiou do recente aumento na demanda dos consumidores americanos por híbridos, já que o entusiasmo em torno dos veículos elétricos diminuiu.
Segundo a Reuters, a fabricante planeja produzir pouco menos de 25 mil veículos em sua fábrica de Kyushu, no sudoeste do Japão, neste mês, de acordo com duas pessoas com conhecimento da situação. Desse volume, 10 mil serão do crossover Rogue para exportação, metade do que havia planejado para este mês.
A Nissan não comentou o assunto.
Problemas com modelos híbridos nos EUA
A Nissan disse em março que lançaria 30 novos modelos nos próximos três anos e pretendia aumentar suas vendas globais em 1 milhão de veículos, ao mesmo tempo em que cortava custos para melhorar a lucratividade.
Em 2023, vendeu cerca de 3,4 milhões de veículos globalmente, aumento de 5% em relação ao ano anterior. A meta estabelecida para 2024, agora pode ser exagerada, disse Seiji Sugiura, analista do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory.
“Mesmo que a Nissan tente vender carros de luxo ou caros, ela não tem esse tipo de poder de marca nos Estados Unidos”, disse ele. “Eles têm que dar descontos, vender com incentivos.”
Embora a Nissan venda dois veículos elétricos nos EUA, ela foi pega de surpresa por não oferecer híbridos naquele mercado, apostando em vez disso que os consumidores dos EUA estariam interessados em carros movidos a gasolina ou elétricos. É provável que isso continue a pesar.
Nissan busca fortalecer linha nos EUA
“O mercado geral dos EUA está vendo uma mudança na demanda por híbridos”, escreveram analistas do Goldman Sachs em nota, acrescentando que o lançamento híbrido da Nissan não era esperado nos EUA antes de 2026.
A Nissan disse que, dos 30 novos modelos planejados, 16 seriam eletrificados, incluindo oito veículos elétricos e quatro híbridos plug-in.
O CEO Makoto Uchida disse em uma entrevista coletiva na quinta-feira que a empresa buscaria fortalecer sua linha na América do Norte, inclusive com híbridos plug-in, mas não quis dar um cronograma específico.
Globalmente, o estoque da Nissan agora está em 640 mil veículos, o nível mais alto em mais de quatro anos. Os EUA e a China são os dois maiores mercados da Nissan, e a ascensão de novos participantes na China, como a BYD, pode fazer com que a montadora japonesa acabe ficando ainda mais dependente dos EUA, à medida que as perspectivas na China diminuem.