
Com potencial para fabricar 200 mil carros e 200 mil motores por ano, a nova planta recebeu investimento total de R$ 2,6 bilhões. Inicialmente 1,5 mil funcionários trabalharão nos dois prédios produtivos, número que deve evoluir para 2 mil conforme a produção avançar. Na cerimônia que marcou o início da operação a companhia apontou que a unidade é uma das mais sustentáveis da Nissan no mundo.
Passada a etapa de testes, a montagem de automóveis e motores destinada ao mercado deve começar ainda em abril. O primeiro modelo a sair das linhas de produção fluminenses será o New March, como foi batizada a nova geração do compacto, que conviverá no mercado nacional com a versão anterior, importada do México. Os propulsores 1.6 flexíveis de 16 válvulas que equipam o modelo inauguram as atividades da fábrica de motores do novo complexo industrial.
Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan, participou da cerimônia de abertura da unidade e garantiu que o primeiro carro a ser feito em Resende já terá índice de nacionalização de 60%. “Até 2016 queremos chegar aos 80%”, determina. Para o executivo, aumentar o conteúdo local é essencial para o sucesso da operação. “Localização é um imperativo estratégico. Cada vez que temos uma peça importada estamos expostos ao risco cambial.”
O dirigente avalia que as negociações para atingir o objetivo de índice nacional correm mais intensamente com as companhias multinacionais, já que essas empresas atendem a Nissan em outros países e, portanto, entendem as necessidades da montadora. Ainda assim, ele garante que fornecedores nacionais têm oportunidade de trabalhar com a companhia. O grande desafio para isso é oferecer qualidade e preço competitivo.
INTEGRAÇÃO PRODUTIVA
Ghosn deixou claro que a intenção da Aliança no Brasil é estabelecer integração produtiva entre as fábricas das duas marcas. Ele admite a possibilidade de a Renault utilizar os novos motores 1.6 produzidos em Resende, mas informa que “não há nada definido por enquanto.”
O executivo segue o mesmo discurso ao falar do relacionamento da empresa com a Daimler, que mantém parceria internacional com a Aliança Renault-Nissan. “Podemos ter colaboração local no futuro, mas nada está acertado.” A fabricante alemã trabalha na construção de fábrica de automóveis Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo, o que levanta a possibilidade de que as duas companhias acertem algum tipo de integração local.
MERCADO E PRODUÇÃO
Apesar do momento delicado para as montadoras no Brasil, que enfrentam queda nas vendas, estoques altos e consequentemente queda na produção, A Nissan começa a operação com bastante otimismo. Ghosn admite que a companhia não espera alta expressiva do mercado no curto prazo e ainda assim prevê expansão para a marca. “Não projetamos queda das vendas domésticas totais, mas também não há expectativa de crescimento forte nem em 2014 nem em 2015”, avalia. O executivo tem a meta de ampliar a participação da marca japonesa no mercado dos atuais 2% para 5% até 2016.
Ghosn sequer considera tal crescimento um grande desafio. “Ainda somos muito pequenos no Brasil. Não aproveitamos o nosso potencial e por isso crescer até alcançar 5% do mercado não será tão complicado. O desafio está em avançar além disso”, assume. Apesar do tropeço nas vendas totais, a empresa mantém seus planos: depois de vender cerca de 70 mil carros em 2013, a ideia é chegar aos 115 mil emplacamentos este ano. Mais da metade desse volume deve ser produzida localmente. “A preocupação com o menor ritmo de crescimento do mercado no curto prazo não é nossa, mas sim das montadoras que têm grande participação no País”, analisa.
A estratégia da empresa para alcançar as metas é diversificar a atuação. Ghosn admite que a organização não conseguirá responder por 5% das vendas nacionais se não tiver presente em vários segmentos. “Vamos nos basear em quatro ou cinco produtos até 2016”, aponta, mencionando o March, o Versa que será fabricado em Resende a partir do segundo semestre, o importado Sentra e a picape Frontier. Com isso, o executivo deixa incerto o futuro do Livina produzido no Paraná.
Paralelamente a companhia trabalha na ampliação da rede de concessionárias, que hoje cobre 80% do território nacional com 165 casas. A ideia é chegar às 200 revendas com intensificação da atuação fora do eixo Rio-São Paulo, que tem apresentado índices de expansão das vendas menores do que os registrados em outras regiões do País.
VISÃO DE LONGO PRAZO
Apesar de ainda não divulgar os planos para além dos próximos dois anos, Ghosn garante que a Nissan tem ambição forte no País. “Não queremos ser coadjuvantes do mercado”, determina. Passado o período de expansão fraca das vendas domésticas, o executivo estima que os emplacamentos totais voltem a ter evolução mais expressiva.
Segundo ele, o Brasil tem hoje cerca de 175 carros para cada mil habitantes. Na Europa são 400 veículos por mil. “Não vejo motivo para o Brasil ficar por muito mais tempo com proporção menor do que Portugal, por exemplo”, pondera. Ghosn aponta que a inauguração do complexo industrial de Resende tem foco nesse forte potencial para o médio e longo prazos.
