
Valls reforçou a ambição de crescimento da marca na região em entrevista durante o Salão do Automóvel de São Paulo (10 a 20 de novembro no SP Expo). Ele calcula que para colocar a Nissan entre as três marcas mais vendidas na América Latina será necessário abocanhar entre 5% e 6% dos mercados brasileiro e argentino. A fabricante já aumentou sua participação no Brasil, que cresceu de 2,5% para cerca de 3,5% após o lançamento do SUV Kicks – ainda importado do México, mas que passa a ser produzido na fábrica brasileira em Resende (RG) a partir de março de 2017. Na Argentina a marca segue estagnada em 1,4%, “porque lá estamos limitados ainda a uma cota máxima de importação do México de 8 mil veículos por ano”, explica o executivo.
A situação na Argentina deve começar a mudar para melhor com reflexos positivos também para a operação brasileira. Valls lembra que em breve começa a ser produzida no país vizinho, na planta da sócia Renault em Córdoba, a nova geração da picape Frontier (apresentada no salão), que deverá ter 60% da produção voltada à exportação, principalmente para o mercado brasileiro. Na mão contrária, a fábrica no Brasil deverá em 2017 passar a exportar 30% dos March, Versa e Kicks feitos em Resende, especialmente para os argentinos. Com isso, 80% das vendas em ambos os países serão de veículos fabricados localmente, assim a Nissan pode ir além da cota apertada na Argentina e aproveitar o regime mais flexível de comércio entre os países do Mercosul, ampliando participação nos dois lados da fronteira.
As exportações ajudarão a ampliar o uso da capacidade da fábrica de Resende, de 200 mil veículos/ano, hoje utilizada em apenas um terço. Para isso Valls também espera pelo aumento de participação da Nissan no Brasil, para perto de 4% em 2017, turbinada por leve recuperação do mercado. “Temos agora um bom portfólio de produtos para continuar crescendo no Brasil, que deve começar a se recuperar lentamente”, avalia.
A expectativa da Nissan para mercado brasileiro de veículos em 2017 é de crescimento modesto, em torno de 2%. “Estamos sendo conservadores, mas sabemos que o potencial é muito maior”, pontua Valls. Dentro do ano fiscal japonês, que vai de abril de 2016 a março de 2017, a projeção de vendas é de 2,1 milhões de unidades no Brasil e 750 mil na Argentina.
