logo

CNH

No trânsito, machismo ainda é barreira para mulheres dirigirem

Apesar dos avanços e conquistas feminas na sociedade, as mulheres ainda enfrentam preconceito e machismo no trânsito. Segundo especialistas, a discriminação impacta em como as elas encaram a mobilidade urbana e no pouco incentivo que recebem para dirigir.
Author image

cria

08 mar 2022

2 minutos de leitura

transito-machismo-mulheres.jpg

No Brasil, o trânsito ainda é pouco diverso. Das 74,3 milhões de Carteiras Nacional de Habilitação (CNHs) emitidas no país, apenas 35% são de mulheres, de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Para a especialista em direito de trânsito Mércia Gomes, o preconceito é a principal causa do problema. Ela analisa o problema:

“Esse é um dos fatos que impede a plena inclusão delas nesse ambiente, limitando sua liberdade de mobilidade e dificultando sua inserção no mercado de trabalho — portanto, o panorama também impacta a economia”, aponta Mércia.

Na condução de veículos pesados, a participação é ainda menor. Segundo a Senatran, 182.376 mulheres têm habilitação para dirigir caminhões, o que corresponde a apenas 6,5% do total de motoristas da categoria.

Mulheres ao volante, prudência constante

Os impactos vão além e podem afetar o psicológico feminino. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet) mostra que 2 milhões de brasileiros têm medo de dirigir, sendo que 80% são mulheres.

Apesar das piadas sobre a falta de habilidade das mulheres ao volante, em geral elas são mais cuidadosas que os homens. Segundo dados da Quality Planning, empresa de pesquisa para companhias de seguros, os homens têm 3,4 vezes mais chances de conseguir uma multa por dirigir de forma imprudente e 3,1 mais possibilidades de serem pegos por dirigir embriagados.

O excesso de autoconfiança e a prática agressiva dos homens ao dirigir também refletem em acidentes fatais: 81% das pessoas que se envolveram em acidentes de trânsito em janeiro deste ano são do gênero masculino, segundo dados do Infosiga.

“Os homens são mais multados por cometerem mais infrações de trânsito e pela gravidade desses desrespeitos às leis”, afirmou Mércia. “Isso reflete no comportamento e na forma como os homens veem o trânsito, ou seja, eles se sentem numa guerra.”