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Nós quem cara pálida?

Participei na semana passada do Seminário Manufatura Automotiva, da AEA, a Associação de Engenharia Automotiva, onde se discutiu a falta de competitividade da indústria brasileira e a necessidade da construção da chamada Fábrica 4.0. O que é isso? É a linha de produção conectada com outras fábricas do mesmo setor, trocando informações, experiências e compartilhando tecnologia. Tudo na linguagem digital e feito para produzir um carro que possa disputar o mercado dos países desenvolvidos.
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Redação AB

25 ago 2016

2 minutos de leitura

Se a indústria brasileira não criar condições de exportar o excedente, vai sucumbir. O setor não vai aguentar por muito tempo trabalhar com capacidade ociosa que hoje é de 52% para carros e comerciais leves e de 75% para veículos pesados.

Mas eu queria falar era da postura do representante do governo, que foi convidado para o seminário. Sobre a carga tributária ele foi enfático: disse que a carga tributária é proporcional ao endividamento do País; reduzi-la é prejudicar o déficit fiscal. Mas discursou que “é preciso racionalizar a carga tributária”. O funcionário do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços disse mais: “Nós precisamos inserir a indústria automobilística no desenvolvimento. Precisamos criar condições para a exportar, mas algo permanente, independentemente do câmbio”.

Disse também que é preciso melhorar a infraestrutura (energia, logística, portos). Sobre acordos comerciais, o representante do governo disse o seguinte: “Precisamos exportar para países com mercado mais consolidados, atender as legislações locais, precisamos avançar com isso”.

Mas “nós” quem? Tudo isso não é tarefa do governo?

Esse discurso vem justamente de quem tem a obrigação de criar as condições para o desenvolvimento da indústria, para a solução dos problemas, enfim: de quem é responsável por estabelecer um projeto para o País.

Isso é comum nos discursos dos dirigentes políticos: o presidente, o governador, o prefeito discursam indignados numa situação de adversidade. Mas não é ele, o Executivo, que tem o poder de dar encaminhamento para a solução dos problemas?

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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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