
|
|||||||||||||||||||||||||||
Marta Pereira, AB
Regulação e regulamentação serão palavras bastante usadas para que a indústria automobilística brasileira avance e se torne competitiva no mercado global. Essa foi uma das orientações da palestra “Como ganhar força para competir?”, de Paulo Cardamone, managing director da IHS Automotive, durante o Simpósio SAE Brasil Tendências e Inovação na Indústria Automobilística, que ocorre nesta segunda-feira, 22, no WTC Sheraton, em São Paulo.
-Confira aqui a cobertura completa do Simpósio Tendências e Inovação na Indústria Automobilística
“Durante uns 20 anos o setor automotivo nacional andou com as rédeas soltas. Perdemos a oportunidade de ter uma indústria genuinamente local, mas ainda há tempo de sermos uma grande indústria, competitiva globalmente”, reforça.
As recomendações do executivo estão amparadas nos seus mais de 30 anos de vivência no dia a dia das montadoras e autopeças e no estudo entregue ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) em 2010, sobre o segmento. Segundo Cardamone, a análise contempla cerca de 50 recomendações sobre os aspectos pesquisa e desenvolvimento, relações trabalhistas, produto e regulamentação.
“As decisões serão determinadas de acordo com o conceito de indústria automobilística que o País adotar: é estratégica e prioritária; é estratégica, mas não é prioritária; é importante, mas não é estratégica”, disse, ressaltando que não é uma discussão simples e que envolve todos os personagens, ou seja, montadoras, autopeças, distribuidores e governo. “E esses personagens não podem esquecer que o mercado, mais do que nunca, é soberano. O consumidor mudou, e para melhor. Ele quer se locomover com conforto, eficiência e pagando um preço competitivo globalmente.”
A afirmação do executivo foi referendada com outro estudo. Entre janeiro de 2010 e julho de 2011, os preços de alguns veículos caíram 10%, pressionados por esse consumidor. Por alguns veículos, entendam-se 55% das vendas internas.
As decisões em torno da nova política industrial para o setor também passam pela análise do cenário global. É preciso considerar que o mundo está em transformação, com a transição do poder para outros países, melhor distribuição de renda, preocupação com a energia para sustentar a expansão demográfica e a volatilidade das economias, entre outras variáveis.
“No passado era mais simples fazer previsões. Com a globalização, o que for decidido hoje pode mudar amanhã. Mais do que antes, as decisões são tomadas sob pressão”, salienta.
Segundo Cardamone, as vendas internas continuarão em crescimento, mas em patamares menores. “Em 2017, devemos alcançar 5,5 milhões de unidades comercializadas, motivados, sobretudo, pelo crescimento dos municípios, queda dos juros e incremento na renda.”
Enquanto 2017 não chega, é preciso acelerar a discussão e as decisões em torno da nova política industrial para o setor automotivo brasileiro.
Foto: Ruy Hiza