
Há pouco mais de um ano, a Mercedes-Benz e a Bosch anunciaram o início das obras do Centro de Testes Veiculares de Iracemápolis (CTVI), no interior de São Paulo, como expansão do Campo de Provas da Mercedes-Benz do Brasil.
Nesta quinta-feira, dia 10, Uwe Baake, chefe mundial Engenharia Mercedes-Benz Trucks, esteve no estande da Mercedes-Benz do Brasil, na Fenatran, para antecipar alguns detalhes do novo campo de provas, que está em fase final de obras e previsto para estrear no primeiro trimestre de 2023.
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A ideia da parceria das duas companhias, Mercedes-Benz e Bosch, que detêm 50% de participação cada, é abrir um novo modelo de negócio: com instalações de ponta, pistas modernas e estrutura para atender a veículos leves e pesados, o objetivo é oferecer como locação os serviços a qualquer empresa que tenha interesse. O consórcio Mercedes-Benz e Bosch já vem de longa data, desde o desenvolvimento de freios ABS, direção autônoma, etc.
“As duas empresas têm a vanguarda da tecnologia, do desenvolvimento, e com isso a parceria se firmou mais uma vez em Iracemápolis, local próximo de rodovias, aeroporto de Viracopos e das principais sistemistas e montadoras”, disse Andreas Hueller, gestor da Construção e Operação CTVI – Bosch.
O novo campo de provas no Brasil vai complementar a estrutura que as empresas já têm em outros países. “Na Alemanha temos um centro de pesquisa bem parecido com este aqui. Agora, quando não tivermos capacidade, por exemplo, de fazer testes lá na Europa, podemos mandar os caminhões para cá. Na China, o centro de testes não é tão elevado. Como usamos plataformas comuns e muita sinergia, essa colaboração será possível e muito útil” afirma Baake, que acrescentou que o Brasil foi o primeiro lugar que pensaram quando surgiu a ideia de construir um centro fora da Alemanha.
Na primeira fase do campo de prova, aberto em 2018, a Mercedes atuou sozinha. Mas a empresa considerou usar a expertise da Bosch como parceira não só com caminhões, mas também para veículos de passeio, agricultura e ônibus. “Decidimos criar uma segunda fase, e abrir o centro para muito mais testes e mais tecnologia. Assim, não somos focados só nos caminhões”, explica o diretor mundial de engenharia.
Na chamada fase 1, aliás, a Mercedes usou a estrutura para testar e avaliar toda a frota de Euro 6, que chega às ruas no próximo ano.

Pistas de testes da Mercedes-Benz com a Bosch tem características inéditas
Entre os destaques do novo campo de provas, Baake cita a pista de alta velocidade para veículos leves. “Aqui na América Latina não há um centro de testes comparável a esse, com tudo o que é possível fazer aqui.” Hueller também ressaltou que a Bosch é muito exigida pelos clientes e é necessário que seus produtos sejam desenvolvidos num centro equivalente ao que já existe em outros países.
As pistas têm características muito singulares. A de alta velocidade é uma pista oval com duas curvas inclinadas em três faixas, de 10%, 17% e 25%. De inédito, diz o gestor, está o fato de ela ser feita de asfalto e não concreto, o que aumenta sua precisão na coleta de dados.
Outra é a pista de dinâmica veicular, com 220 metros de diâmetro, para diferentes tipos de testes, como segurança e eficiência energética. A pista de dirigibilidade tem 7 metros de largura, 1,7 km de extensão e um dos diferenciais é não estar em uma superfície plana, o que ajuda a engenharia ter uma maior aquisição de dados.
Também inéditas, segundo Hueller, são duas pistas de baixo (300 m de extensão) e médio atrito (70 m) que são irrigáveis com sistema de baixa pressão, ou seja, a formação de spray de água não influencia ou prejudica a coleta de dados.
O campo de provas está apto ainda a receber testes de veículos elétricos e autônomos. Há também um conjunto de pistas de conforto, com asfalto ruim, paralelepípedo, valetas e lombadas, que simulam nossas estradas e ruas, fazendo com que o desenvolvimento se baseie nessas condições.
“São algumas características técnicas que estamos providenciando aqui para que sejam um diferencial do que temos no mercado”, enfatiza Hueller.
Economia de custos
Toda essa estrutura, explica Daniel Spinelli, diretor de desenvolvimento caminhões Mercedes-Benz, contribui para a competitividade dos veículos desenvolvidos ali. “Precisamos usar menos protótipos do que os concorrentes porque usamos inteligência de dados e medição para ganhar eficiência na validação do produto. Temos uma técnica muito confiável para vários países. É uma cópia da Alemanha em processos e métodos, e a motivação de seguir para a segunda fase com a Bosch foi porque funcionou. Gera valor, gera eficiência e know-how.”
De todas as pistas de fase 1 e fase 2, apenas a de durabilidade a Mercedes-Benz vai manter para uso próprio e exclusivo de veículos da marca. O restante está disponível para locação. Os executivos lembram que a oferta para terceiros é apenas de sua estrutura com equipes de apoio e não de engenharia. Cada empresa precisará trazer seus times para realizar os testes. O CTVI vai dispor de gestão de tráfego, operacional e de segurança.
O consórcio não abre números de investimentos porque o campo de provas, em fase final de obras, ainda consome recursos. Segundo as empresas, no entanto, a fase 1 do projeto recebeu cerca de R$ 100 milhões e já recuperou este capital aplicado.
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