
Esse tipo de sistema já foi implantado por diversas montadoras há mais de uma década em países da América do Norte, Europa e Japão. No Brasil, a Ford será a primeira a oferecer a assistência, sem custo adicional, integrada ao Synk do Novo Ka, a ser lançado até o fim de agosto, a partir da versão intermediária SL Plus (esta opção vai custar R$ 37.390). “Entendemos que era hora de dar esse passo adiante. É um item de conveniência que pode salvar vidas. Mas aqui vamos começar isso com nosso veículo de entrada (o Ka)”, disse Rogelio Golfarb, vice-presidente de relações institucionais da Ford América do Sul.
Dentro do próximo ano, todos os demais carros da marca vendidos no País terão a função de chamada de emergência incorporada ao Synk. “É uma questão de tempo. A Ford certamente não será a única a oferecer esse tipo de sistema. É um caminho inevitável para todas as montadoras”, afirma Golfarb.
“O Brasil é o quinto país com mais mortes no trânsito no mundo (45 mil em 2012, segundo números do Ministério da Saúde). Este é um dos mais graves de nossos problemas de saúde pública. Isso destaca o quanto precisamos evoluir para reduzir esses óbitos e as sequelas deixadas pelos acidentes. Nesse sentido a prontidão do atendimento de emergência é fundamental”, disse Arthur Chioro, ministro da Saúde, que participou do evento de lançamento da assistência realizado pela Ford na sexta-feira, 25, em São Paulo. “Avaliamos que iniciativas como essa são valorosas para atuar sinergicamente com o serviço de atendimento de urgência. É uma inovação tecnológica que pode fazer a diferença entre a vida e a morte”, acrescentou o ministro.
Segundo Chioro, a função de chamada de emergência incorporada pela Ford chega em momento oportuno, em que o Samu conta com cobertura nacional (até 2003 só atuava em 16 cidades). Hoje o sistema tem 183 centrais de telefônicas que atendem chamados 24 horas ao 192 e 2,5 mil ambulâncias (567 com UTI) espalhadas pelo País, estrutura suficiente para cobrir 73% da população, cerca de 146 milhões de pessoas. “Investimos cerca de R$ 1 bilhão por ano no sistema”, informou o ministro.
FUNCIONAMENTO
O sistema de chamada de emergência da Ford é uma integração tecnológica relativamente simples. Para funcionar, o Synk só precisa estar conectado ao telefone celular do motorista e, claro, estar dentro da área coberta pela telefonia móvel do País. Quando o carro se envolve em alguma colisão com deflagração dos airbags ou corte da bomba de combustível, primeiro é feito um alerta sonoro que irá chamar o Samu, para que a ligação possa ser cancelada caso não haja necessidade. Se não houver cancelamento, a discagem ao 192 prossegue automaticamente.
Quando a central do Samu atende a ligação, o sistema roda uma mensagem gravada: “Atenção: um veículo Ford esteve envolvido em um acidente. Aguarde o envio das coordenadas GPS, seguido da comunicação com os ocupantes do veículo. Um veículo Ford esteve envolvido num acidente nas seguintes coordenadas: latitude X e longitude Y. Repetindo a localização: latitude X e longitude Y. Linha aberta.” A localização fornecida é a captada pela antena de GPS do sistema de navegação do carro, mais precisa do que a triangulação de antenas de telefonia celular.
Após a mensagem, a linha fica aberta para comunicação direta por voz entre o operador da central telefônica do Samu e os ocupantes do carro acidentado. Com isso o médico pode avaliar a gravidade da situação e acionar o serviço de atendimento mais adequado: moto, ambulância, UTI móvel etc.
Antes de lançar o sistema de chamada de emergência, a Ford apresentou a funcionalidade ao Ministério da Saúde e ao Samu. “Fizemos testes e visitamos centros telefônicos do Samu com bons resultados”, explica Kalus Mello, gerente de engenharia de veículos da Ford. Segundo ele, também foi desenvolvido um programa de treinamento on-line, via internet, para os atendentes, para que eles estejam preparados quando surgirem as primeiras ligações com a mensagem gravada. “Vamos apresentar o sistema também no congresso nacional do Samu, que acontece na próxima semana em Brasília”, diz.