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Novo regime ainda tem de ser digerido

Da esq. para a dir.: José Romero (Fiat), Vítor Barreto (Volvo), Orlando Cicerone (GM) e João Pimentel (Ford). Foto: Ruy Hizatugu
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Redação AB

09 abr 2012

3 minutos de leitura

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Marta Pereira, AB

Organizado por Automotive Business, o III Fórum da Indústria Automobilística, que ocorre nesta segunda-feira, 9, no Golden Hall do WTC, em São Paulo (SP), reuniu João Pimentel, diretor de compras da Ford América do Sul; José Francisco Maciel Romero, gerente de otimização do valor do produto e desenvolvimento de fornecedores da Fiat; Orlando Cicerone, diretor de compras da GM América do Sul; Renato Abel Crespo, gerente executivo de suprimentos para a América do Sul da Volkswagen; e Victor Barreto, diretor de compras da Volvo do Brasil. Eles apresentaram o painel Cenários para a Cadeia de Suprimentos.

Questionados sobre os impactos do novo regime automotivo, que entra em vigor a partir de 2013 e, entre outros reflexos, implica o aumento de compras de insumos e componentes nacionais para obtenção do abatimento de 30 pontos porcentuais extras, aplicados ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos, a resposta foi unânime, mas não surpreendeu. Por conta da divulgação recente, às vésperas do feriado de Páscoa, os executivos alegam falta de tempo para analisar o Decreto nº 7.716/2012, que regulamenta o novo regime, embora estejam otimistas. O que surpreende e contraria a lógica de uma leitura básica e de alguns analistas do setor é que eles não acreditam em gargalos no fornecimento.

Abel Crespo, da Volkswagen, salientou, no entanto, que o novo regime cria capacidade produtiva, obriga investimentos em P&D e inovação, com vistas a tornar a indústria automobilística brasileira mais competitiva mundialmente, mas não trata da demanda interna, do incentivo ao consumo. Outro aspecto apontado por Barreto, da Volvo, refere-se às regras para financiamento pelo BNDES, cuja burocracia dificulta os investimentos necessários, sobretudo para os tiers 2, 3 e 4.

Para Romero, da Fiat, os principais obstáculos a enfrentar não são novos: dificuldade de gestão de algumas empresas e a qualificação da mão de obra. Nesse ponto, as montadoras também são unânimes em afirmar que é preciso uma sinergia maior na cadeia, com troca de experiências e intensificação dos programas de capacitação, já promovidos pela maioria, bem como pelos sistemistas, há algum tempo.

Segundo Cicerone, da GM, o regime reforça a competitividade e a inovação, exigências antigas do setor, com a definição de plataformas globais e, consequentemente, maior demanda por desenvolvimento tecnológico. A legislação que prevê itens de segurança, como freios ABS e airbag em todos os veículos, também gerou maior escala e favoreceu investimentos na produção local, sem registros de gargalos. Pimentel, da Ford, também não acredita em problemas no fornecimento. Insumos básicos, como alumínio, aço e plástico, estão sob controle.

Com previsão de produção anual de 5 milhões de veículos leves até 2015, com investimentos de R$ 60 bilhões em toda a cadeia, no período de 2012 a 2015, incluindo a instalação de novos fabricantes, números e cifras divulgados antes mesmo do decreto da semana passada, a expectativa é que a cadeia de suprimentos realmente não enfrente gargalos, que as regras do jogo tenham sido definidas por todos os participantes, com avaliação criteriosa do cenário.

Assista à entrevista exclusiva de João Pimentel, diretor de compras da Ford América do Sul em Automotive Business WebTV.