
Apesar de demonstrar tranquilidade, na prática, a situação não deverá ser tão simples, já que é de conhecimento público que o índice real de nacionalização apresentado pelos fabricantes não representa, de fato, a realidade. Com a mudança no cálculo a partir do ano que vem, que será balizado em cima do custo de produção, as montadoras terão de pressionar de maneira agressiva grande parte de seus fornecedores para que seja possível posicionar seus produtos com o mínimo de competitividade necessária e ainda manter a rentabilidade.
Enquanto tenta esconder o jogo, a Fiat comemora o bom desempenho da parceria formada com a Chrysler em meados do ano passado, que tem possibilitado bons avanços por meio de grande intercâmbio tecnológico. “A sinergia com a Chrysler está indo de vento em popa, com um trabalho muito forte de integração de compras e desenvolvimentos”, afirma o executivo, que também faz questão de destacar os avanços conquistados pelo centro de desenvolvimento mineiro e as parcerias com instituições de ensinos, que tem possibilitado capacitar muitos engenheiros. “Atualmente, contamos com mil engenheiros e estamos trabalhando fortemente em treinamentos para aumentar esse número, pois sabemos que o grande diferencial virá de novas tecnologias.”
Em cenário de demissões, a fabricante italiana promete a contração de novos funcionários para sua nova unidade pernambucana, que contará com estrutura parecida com a de Betim, com a maioria dos fornecedores instalados bem próximos da fábrica. A definição destes parceiros e informações sobre quais veículos produzirá por lá, entretanto, o executivo guarda a sete chaves. “A única coisa que posso adiantar é que já temos cinco fornecedores definidos de um total de 14 que deverão se instalar por lá.”
Apesar do mistério, o executivo adianta que diminuir desperdícios e avançar em redução de peso são as metas da companhia para atingir o nível de eficiência energética exigido pelos produtos cada vez mais globais. “E a área de compras está diretamente ligada à engenharia para se chegar aos níveis necessários”, afirma.
Assista à entrevista exclusiva com Osias Galantine, diretor de compras da Fiat Chrysler para a América Latina: