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NTC: estímulo à renovação da frota não surte efeito

Em artigo preparado especialmente para o jornal DCI, o presidente da NTC & Logística, Flávio Benatti, analisou a situação da frota de caminhões e os esforços para sua renovação.
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13 ago 2009

2 minutos de leitura

Benatti afirma que o transporte rodoviário de cargas para o Brasil é responsável por cerca de 60% da movimentação total dos produtos. Em razão de fatores como achatamento do valor do frete e dificuldades históricas de caminhoneiros e empresas na obtenção de financiamentos economicamente viáveis, a idade da frota de caminhões tornou-se muito elevada.

Ele estima que mais de 270 mil caminhões têm 30 anos de idade, que correspondem a 20% da frota de 1,4 milhão de caminhões.

Estímulos não funcionam

“Apesar de existir um programa federal para o financiamento da compra de caminhões, o Procaminhoneiro, a situação não melhorou muito, principalmente devido à dificuldade dos caminhoneiros autônomos atenderem às exigências de garantias pedidas para o financiamento” – adverte.

Em junho o governo federal anunciou medidas para facilitar o acesso ao crédito para a troca dos caminhões antigos por veículos mais novos. Uma delas foi a criação do Fundo Garantidor de Investimentos, para minimizar obstáculos ao financiamento a autônomos, pequenos empresários e microempreendedores individuais, reduzindo riscos das operações de crédito bancário.

Também foram favoravelmente modificadas as condições de financiamento do Procaminhoneiro. A taxa de juros passou de 13,5% para 4,5% ao ano, ampliou-se o prazo de financiamento de 84 para 96 meses e permitiu-se o financiamento de veículos usados com até 15 anos de idade.

“No entanto, passado mais de um mês da divulgação das medidas, elas infelizmente ainda não estão efetivas” – explica Benatti, afirmando que na prática o transportador ainda não tem disponível o financiamento pelo programa Procaminhoneiro à nova taxa de juros e com o aval que viria do Fundo Garantidor de Investimentos.

Ele considera a situação extremamente preocupante, pois as condições mais favoráveis anunciadas para este programa são válidas somente até 31 de dezembro de 2009.

Assim, não se efetiva a meta de facilitar a compra de novos caminhões no País.

O executivo defende a ampliação dos recursos para o Procaminhoneiro, já que os R$ 793 milhões disponibilizados para 2009 permitiram o financiamento estimado de apenas oito mil veículos.

Benatti recomenda também que a efetivação das novas medidas seja agilizada com a delegação da gestão do programa a algum banco público e destaca a importância da reciclagem dos caminhões antigos.