
Exemplo das novas conquistas são os chamados “rolamentos de terceira geração”, que já são embutidos no cubo da roda, eliminando diversos processos de montagem. A NTN-SNR foi a primeira a produzir o componente no País e com isso passou a fornecer para os novos Ford EcoSport e Toyota Etios. Segundo Lesigne, a produção da peça no Paraná é um dos frutos do programa de investimentos de R$ 50 milhões em três anos que terminou em 2014 e incluiu a expansão da linha de produtos e capacidade industrial no Brasil. Além da unidade de Fazenda Rio Grande, que teve a capacidade dobrada para 4,5 milhões de peças por ano, a NTN abriu outra fábrica de juntas homocinéticas em Guarulhos (SP). No ano passado a empresa produziu em solo brasileiro 4,3 milhões de rolamentos e semieixos.
“Estamos presentes no desenvolvimento de quase todos os carros e fornecemos para as fábricas japonesas que estão crescendo, por isso vemos grande potencial de expansão”, afirma o executivo, que chegou ao País para dirigir as operações da NTN em agosto passado. “Claro que somos afetados pela queda das vendas de veículos novos. O ano passado foi difícil e este também será. Estamos acompanhando a evolução do ritmo dos negócios para decidir sobre novos investimentos, mas nossa vinda ao Brasil foi para ficar. Nos últimos cinco anos tivemos expansão de 32% e isso justificou o que fizemos até o momento”, avalia.
OPORTUNIDADES
Mesmo em momento econômico desfavorável, a conquista de fornecimento para novos projetos compensa em boa medida o tombo do mercado. Para 2015, Lesigne projeta que a NTN deverá utilizar 90% da capacidade de produção no País, porcentual bastante superior ao da maioria das fábricas do setor automotivo atualmente. “Temos certeza de que existem muitas possibilidades de expansão aqui, mas o crescimento tem sido muito volátil”, analisa.
Um dos investimentos em avaliação está em aumentar a nacionalização de produtos, uma demanda dos fabricantes de veículos para atender as exigências do Inovar-Auto e contornar a alta do dólar diante do real. Os rolamentos de terceira geração, por exemplo, têm cerca de 40% de componentes nacionais. “As montadoras estão pedindo maior nacionalização, mas só podemos fazer isso com escala, com mais pedidos, para valer a pena produzir aqui o que não fazemos ainda”, diz Lesigne.
Uma das possibilidades de crescimento está na venda de componentes para o mercado de reposição, no qual a NTN está entrando com maior força agora, com um catálogo de componentes de quase 300 páginas. “Podemos crescer 100% no aftermarket, porque já fornecemos para quase todos os carros fabricados no Brasil ou importados. Somos líderes no mundo e aqui não será diferente. Apenas começamos a trabalhar melhor nesse segmento, com ampliação da rede de distribuição e ações de marketing”, afirma Lesigne.