Jean Silva, da Here Technologies, empresa que desenvolve tecnologia de software para condução autônoma, remete para o ano de 2025 o momento em que o carro poderá fazer tudo sozinho, dependendo apenas das ordens do motorista (ou melhor, do usuário), ou seja, o veículo autônomo nível 5.
Hoje a indústria já produz o carro de nível 3 de autonomia, aquele que opera de forma autônoma em determinadas situações, mas o motorista ainda tem o controle. Pelo menos quatro modelos, de quatro marcas, já rodam nas ruas nessas condições (veja mais adiante).
No Brasil, estamos engatinhando no nível 1, aquele carro com controles de aceleração e de velocidade.
Vamos aos cinco níveis de automação e a distância de tecnologia e de tempo que estamos de cada um deles.
O carro comum está fora dessa classificação, o “nível zero”. É o veículo em que o motorista tem o controle total. Não há nenhum recurso de automação.
No nível 1 estão os carros equipados com assistência à condução, auxiliando o motorista na direção e em eventuais frenagens e acelerações: dotados de controle de aceleração e controle de velocidade. Nos EUA, no Japão e na Europa 30% dos carros já estão nesse nível. No Brasil, apenas 5% têm esses equipamentos.
O nível 2 de automação é dotado de recursos que permitem condução semi-autônoma, atuando no volante e pedais: os equipamentos são o controle ativo de velocidade e de direção, estacionamento automático e frenagem automática de emergência. 30% dos carros produzidos nos Estados Unidos já estão esse nível. No Brasil, apenas 0,1%, segundo a Here Technologies.
No nível 3, o carro pode operar de forma autônoma em determinadas situações de tráfego, mas o motorista ainda tem o controle, tendo que assumir a direção quando necessário. O carro ganha autonomia em velocidade acima de 60 km/h: assume a direção e controla pela sinalização horizontal e vertical.
Em frações de segundo o carro precisa enviar as informações para uma central para serem processadas. Captura imagem da placa de trânsito, manda para a nuvem, que processa e manda a informação para o carro. É a precisão levada ao extremo. Mesmo tendo mapa, precisa captar informação local e processar em fração de segundos fazer o que o cérebro faz. 10% dos carros feitos nos Estados Unidos e na Europa já possuem esses equipamentos. Alguns exemplos são o Audi A8, o Volvo XC 90, o Mercedes-Benz Classe S e o BMW Série 7. No Brasil o índice é zero.
O quarto nível de automação ainda não é realidade. Os primeiros carros devem surgir nessas condições daqui a dois anos, em 2020. Serão equipados com uma infinidade de sensores, com sistema a laser, que enxergam em 3D. Os veículos deste nível podem atuar sozinhos em diversas condições, exceto em condições climáticas e ambientes adversos. Abaixo de 40 km/h precisa a ação do homem ao volante. Os veículos de nível 4 ainda estão em desenvolvimento.
A autonomia total dos veículos automotores deve chegar entre 2023 e 2025: é o nível 5, o mais avançado. Nessa condição, o usuário simplesmente determina o destino e o carro obedece. O veículo faz tudo sozinho. Pedais e volante são dispensáveis; os comandos podem ser feitos por voz ou pelo celular.
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PARCERIAS |
A Here, que é também líder global em serviços de mapeamento e localização, fez uma parceria recente com a Renovo – empresa de tecnologia de software de mobilidade – para a fomentação de troca de dados em todo o ecossistema de transporte, com o objetivo de aumentar a segurança, a eficiência e o conforto para os passageiros.
As duas empresas estão trabalhando em uma nova interface de tecnologia para maximizar a utilidade dos dados de sensores gerados por frotas de veículos automatizados na atualização de mapas altamente precisos.
“À medida que construímos a infraestrutura de dados necessária para carros autônomos, a colaboração entre os principais fornecedores de tecnologia e entre setores é essencial”, disse Edzard Overbeek, presidente da Here, empresa que tem parceiros como Audi, BMW, Bosch, Continental, Daimler, Intel e Pioneer.
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Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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