
Neuto Reis, assessor técnico da NTC&Logística, explica que as idéias para estimular a renovação de frota são antigas e pouco têm avançado.
Da frota de caminhões em circulação (cerca de 1,8 milhão), 55% estão em poder de empresas, incluindo transportadoras. Os demais 45% são de caminhoneiros. Quase metade da frota tem mais de vinte anos de uso; e mais de 200 mil veículos foram emplacados há mais de trinta anos, ficando na categoria de emissões Euro Zero (quando foram comprados).
O Pró Caminhoneiro, programa do BNDES que financia cem por cento do caminhão com taxa de 13,5% ao ano, não avança porque o interessado precisa dar garantias reais para fechar o contrato. O próprio caminhão não serve como garantia, por ser um instrumento de trabalho não sujeito a apreensão em caso de inadimplência.
Iniciativas
Miguel Jorge, ministro do MDIC, avalia formas de estimular a venda de caminhões no país. Um caminho seria um seguro, por meio de fundo de aval, para cobrir eventual interrupção de atividades do caminhoneiro diante de imprevistos, como acidentes. A garantia de renda levaria à compra do caminhão.
Outro programa em análise há anos, no qual a NTC&Logística esteve empenhada, já foi levado a diversas esferas do governo, incluindo o ministério do Meio Ambiente e a Casa Civil. Trata-se do sucateamento de caminhões.
“O problema é que um caminhão muito antigo ainda vale algo como R$ 30 mil” – adverte Neuto. Retirar de circulação um quarto dos duzentos mil caminhões com mais de trinta anos de uso exigiria teoricamente uma aplicação de R$ 1,5 bilhão.
A isenção tributária seria outro caminho para a renovação da frota, que não parece agradar muito ao governo federal. Além disso, a isenção do IPI (que é de apenas 5%) não teria grande impacto na produção industrial.
Pesados mais afetados
Silvio Barros, diretor de vendas e marketing da ArvinMeritor, fornecedora de eixos para veículos comerciais, defende algum tipo de estímulo à renovação da frota.
“A indústria vem sendo bastante afetada pela retração na vendas de caminhões, especialmente no segmento de pesados” – afirma o executivo.
Enquanto a queda média no licenciamento de caminhões foi de 19,2% no acumulado do ano (em relação ao mesmo período de 2008), o recuo dos pesados atingiu 26,9%.
Já as exportações de pesados despencaram 78% no período, fazendo a produção recuar 48%, para 11.892 unidades (o setor, como um todo, caiu 31,7%, para 43.945 unidades).
A produção de ônibus, no ano, caiu 30,5%, para 13.177 unidades.
Os dados são da Anfavea.