A montadora já avisou que para levar adiante os planos de reestruturação precisa de mais US$ 11,6 bilhões do governo norte-americano, além dos US$ 15,4 bilhões que já recebeu.
Há ainda sérias dúvidas sobre a possibilidade da GM escapar de um processo de recuperação judicial, diante dos impasses nas negociações com credores.
A empresa negocia US$ 27,2 bilhões em débitos não garantidos, oferecendo aos detentores dos títulos o equivalente a uma participação de 10% nas ações da companhia. A maior parte dos interessados teria aceitado a proposta, formalizada no website www.gm.com.
Outra frente de negociações acontece com o UAW, sindicato dos trabalhadores, que recebeu a oferta de saldar com ações o compromisso da GM de US$ 20 bilhões com programas de saúde para aposentados.
A GM encontrará também um adversário difícil na NADA, entidade que reúne os distribuidores de veículos, para o fechamento de 42% de suas revendas. O plano é ter apenas 3.605 pontos no final de 2010 (eram 6.246 no final de 2008). A NADA calcula uma indenização de US$ 35 bilhões para as concessionárias.
Os cortes
Mantendo a rotina dos últimos meses, a GM continua a trabalhar em novos cortes na estrutura que atingem todos os níveis da administração, as linhas de produtos, unidades produtivas e rede de distribuição. No pré-projeto anunciado neste segunda-feira, a empresa consolidou todas essas iniciativas.
O império da corporação, que chegou a somar 150 fábricas e 395 mil trabalhadores, deve ficar reduzido a 34 unidades de produção e 10% daquele efetivo. Haverá uma segunda redução, para 31 plantas, até o fim de 2012. O efetivo de horistas, de 61 mil trabalhadores em dezembro passado, cairá para 40 mil em 2010 e 38 mil no início do ano seguinte.
Está definido: a empresa fechará a divisão Pontiac e negociará a Hummer, Saab e Saturn. Restarão a Chevrolet, Buick, GMC e Cadillac. Os 48 modelos oferecidos no ano passado serão reduzidos para apenas 34.
A produção da General Motors cairá significativamente em função dos novos ajustes. No plano anterior, apresentado em 17 de fevereiro, a previsão era de 4,1 milhões de veículos para 2014; o novo plano estabelece o marco de 3,7 milhões de unidades.