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O fluxo de caixa que ameaça os empregos

Negociações entre patrões e empregados, com a interveniência dos sindicatos, tem levado a alguns avanços para evitar a dilapidação do emprego nos polos automotivos, mas há ainda inúmeros entendimentos pontuais em andamento, especialmente entre os fornecedores de autopeças. Em muitos casos as dispensas já realizadas foram preventivas e alimentadas por expectativas sobre o comportamento da economia e de queda na produção. Entendem muitos analistas que até março, pelo menos, o setor deverá passar por um período marcado pela apreensão e cautela, diante da indefinição nos programas de compras das montadoras.
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cria

21 jan 2009

3 minutos de leitura

A preservação do capital intelectual das empresas capaz de garantir a retomada do crescimento e a busca de novas soluções no campo da tecnologia e gestão das operações é o grande desafio neste momento de mudanças. A FPT Powertrain Technologias, fabricante de motores do Grupo Fiat, resolveu enfrentar a crise estimulando o desenvolvimento de seus engenheiros por meio de um entendimento com a SAE Brasil. Outras empresas tem adotado posições social e empresarialmente corretas, buscando preservar o emprego e lançando mão de artifícios para evitar demissões que vão desde férias e remanejamento de atividades até cursos de aperfeiçoamento.

Fernando Sarti, professor do Instituto de Economia da Unicamp, disse ao jornal Valor no entanto que as indústrias têm ajustado o quadro de funcionários porque estão de olho no fluxo de caixa, mais do que na perspectiva de demanda futura. “O único custo variável que as empresas podem manejar neste momento é a folha de pagamentos e muitas preferem dispensar temporários para ter fluxo de caixa” – afirmou.

O diretor de uma empresa automotiva lembrou a Automotive Business que durante o ano passado o balanço das empresas trazia em destaque os resultados de vendas, lucros e contratações de pessoal. A partir de setembro, os dirigentes mudaram o enfoque: passaram a olhar para o caixa e traçar táticas de curto prazo de olho no fluxo financeiro.

Panorama das negociações
Cerca de dez mil trabalhadores atenderam a convocação dos sindicatos dos metalúrgicos para defender o emprego e protestar contra demissões ou cortes de salários na terça-feira, em São Bernardo do Campo. A manifestação aconteceu próximo à Mercedes-Benz.

Diante da necessidade de fazer ajustes na estrutura, com a queda na produção, a Volkswagen tem conseguido negociações importantes com os trabalhadores. Os metalúrgicos da fábrica de Taubaté deram sinal verde para a efetivação de 450 trabalhadores, a renovação do contrato de outros 200 e a redução da jornada de trabalho. Como resultado prático, a filial pode reduzir a jornada de trabalho em até 25 dias este ano sem correspondente redução de salários dos trabalhadores. Dos 800 trabalhadores com contrato de trabalho temporário até fevereiro, possivelmente apenas 150 não terão renovação.

Na Agrale as demissões são consideradas dentro da rotina, mas a empresa eliminou horas extras e novas contratações.

Em São Caetano do Sul 1.633 trabalhadores da General Motors com contrato temporário não retomaram as atividades depois de voltar de férias coletivas – entraram em licença remunerada por prazo indeterminado, depois de um acordo entre a fábrica e o sindicato.
E Gravataí foram suspensas as férias coletivas entre 26 de janeiro e 8 de fevereiro, para atender a reposição de estoques do Celta e Prisma.

Em Caxias do Sul a Marcopolo vai dar férias coletivas de vinte dias a 1.800 funcionários, menos de um mês após as coletivas de final de ano.

Entre as decisões tomadas pelas empresas automotivas recentes destacam-se ainda a suspensão do contrato de mil trabalhadores da Renault por dois a cinco meses; suspensão do contrato de duzentos profissionais na Plásticos Mueller por até cinco meses; férias coletivas na PSA Peugeot Citroen a 1.500 trabalhadores e licença remunerada de três meses a outros setecentos; dispensa de 250 temporários e 180 efetivos na Volvo, em Curitiba; demissão de 800 empregados na Magneti Marelli. No Polo de Duas Rodas, em Manaus, quatorze montadoras promovem a redução de jornada de 22 mil trabalhadores.