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O humor do chefe

Todos lá, discutindo de maneira acalorada o futebol no início da semana, contando sobre o churrasco e o chefe chega de cara fechada, de poucos amigos, passa reto por todos, lança um olhar de reprovação generalizada e sem cumprimentar ninguém entra na sala. Começa seu dia, mergulhando em relatórios e chamando o time para dar um aperto geral nos cronogramas, nas metas, em tudo. É como se a dor pudesse gerar resultados mais expressivos.
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Redação AB

25 out 2010

3 minutos de leitura

Nada mais longe da verdade! É importante preservar a moral dos colaboradores. Como na família, alguém irritado, de baixo astral, contamina todos os demais e o clima fica pesado. É muito chato trabalhar num lugar assim!

Costuma-se dizer que os problemas são os culpados, mas resolver problemas é uma das principais atribuições de quem trabalha. Eles surgirão sempre, em grande quantidade. Perder o humor e tratar mal os colaboradores não ajuda nada. Pessoas motivadas e inspiradas são mais cordiais, trabalham melhor em grupo e são criativas. Se os problemas surgirem serão prontamente resolvidos.

O chefe como qualquer outro colaborador, tem responsabilidades profissionais, pessoais, e pode estar pouco inspirado naquele dia. Quando tem um problema enfrenta um dilema. Se o divide com seu superior, pode ser mal interpretado e dar a impressão de que está perdendo o controle. Se o dividir com seus subordinados, corre o risco de perder prestígio por não saber a solução. Com seus pares, pode dar combustível a quem anseia por promoções tanto como ele. Por isso, quanto mais alto o cargo, mas solitário o processo decisório. Nesses casos um mentor externo ajuda muito. Submeter-se a esta pressão sem alterar-se não é para qualquer um. No entanto é preciso que o chefe entenda o impacto que provoca no seu colaborador.

Lembro-me de uma passagem na minha carreira que marcou muito. Era uma sexta-feira e voltei mais cedo do almoço para pagar uma conta. O departamento estava vazio, todos no refeitório. Ao passar pelo corredor passei na frente da baia de um supervisor. Fiquei surpreso em vê-lo ali, voltei e lhe disse: “estou de olho em você”. Na segunda-feira, o supervisor queria muito falar comigo. Marquei uma horinha na agenda para atendê-lo. Ele estava sério, preocupado. Disse-me que havia pensado muito e que não entendeu meu comentário. Que estava disposto a mudar no que fosse preciso. Queria entender melhor porque eu estava de olho nele. Dei-me conta então, da besteira que fiz. Arruinei o final de semana de um ótimo profissional.

Disse a ele que meu comentário foi sem nenhuma segunda intenção, uma brincadeira (que só então percebi que fora de mau gosto). Não tinha nenhum problema com ele ou sua conduta. Pedi desculpas sinceramente. Ele entendeu, respirou aliviado, e saiu da sala bem mais leve que entrou. Percebi naquele momento o impacto das minhas ações nos colaboradores.

Não basta ter bom humor. O chefe tem que ter percepção apurada, sensibilidade. Por ser humano e errar como todo mundo, precisa também ter humildade, reconhecer seus erros e pedir desculpas quando for o caso.

Ao mostrar-se como mais um do grupo, fica fácil interagir com seus colaboradores sem dar margens a desconfiança. O ambiente torna-se sadio, gostoso, propício para o trabalho em grupo, onde todos se respeitam, e dividem as pressões dos problemas que com certeza virão.

A dor dá lugar à cooperação! A satisfação de trabalhar neste tipo de lugar aumenta muito. E os resultados aparecem rapidamente!