A maioria dos interessados nas duas reestruturações sai com perdas expressivas. No caso da GM, o sindicato dos trabalhadores UAW trocou a possibilidade de receber US$ 20 bilhões correspondentes a dívidas previdenciárias por 17,5% da nova GM.
Os credores precisam abrir mão de US$ 27 bilhões em títulos pela possibilidade de ter 25% da companhia. Já o governo norte-americano injetou US$ 19,4 bilhões na operação da General Motors e concederá empréstimos, com dinheiro do Tesouro, da ordem de US$ 30 bilhões para ter 60% da companhia.
Uma somatória de erros e infortúnios levou a General Motors a acumular prejuízos de US$ 88 bilhões desde 2004 e elevar seu passivo para US$ 176,4 bilhões. Os ativos somam apenas US$ 91 bilhões.
A companhia insistiu em manter no portifólio veículos grandes e ineficientes, enquanto seus concorrentes japoneses apostaram em carros mais econômicos e adequados para enfrentar a crise internacional.
A GM assumiu compromissos históricos que abalaram seus cofres e a competitividade diante de seus concorrentes asiáticos, como planos de aposentadoria e assistência de saúde.
A pesada estrutura de custos e a demora em adequar a estrutura de produção e distribuição levaram a companhia ao colapso, afetando as operações globais.
Brasil
O Brasil começa também a avaliar o impacto da concordata. Além das dificuldades na matriz, a GM do Brasil terá que enfrentar outra dura realidade: o braço europeu da corporação, a Opel, passará para o comando da Magna. A maioria dos produtos da linha Chevrolet no Brasil deriva de veículos com tecnologia da Opel.
Nesta terça-feira, 2, o presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila, concederá entrevista à imprensa para analisar o processo de concordata da matriz e suas implicações. Ele voltou a garantir que as operações locais não serão afetadas, embora o mercado espere impacto na área financeira, no intercâmbio de tecnologias e no suporte ao desenvolvimento de produto.
Lembrando que a operação brasileira tem independência financeira e jurídica, Ardila afirmou mais uma vez que os investimentos no Brasil estão mantidos.