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Paulo Ricardo Braga, AB
Sergio Marchionne, CEO do Grupo Fiat, comanda algumas das principais aparições do setor automotivo na mídia, dividindo espaço com o brasileiro Carlos Ghosn, da Renault Nissan, outro forte estrategista em questões de marketing pessoal e empresarial. O italiano sabe onde quer chegar e conhece os riscos de provocar contendas, enviando recados pelos jornalistas a rivais históricos, como Ferdinand Piech, com o qual troca farpas frequentes.
O confronto entre os principais executivos da Volkswagen e Fiat levou a tirar do guarda-roupa coisas de discutível importância para lavar em público. Durante o Salão de Detroit Marchionne chamou a atenção do mercado com mais um desses lances, propondo a compra dos negócios de veículos comerciais da Volkswagen, sem levar em conta que a Fiat provavelmente teria indigestão para absorver um pacote trazendo juntas a MAN e a Scania.
Em lances anteriores, a Volkswagen adquiriu, em campo italiano, o controle do estúdio do designer Giorgio Giugiaro e, a seguir, disse estar interessada, sem pressa, em absorver marcas tradicionais como Ferrari e a Alfa Romeo, do Grupo Fiat.
Na sexta-feira, 4, quando participava como palestrante de um simpósio da JD Power nos Estados Unidos, à véspera da convenção da NADA em São Francisco, Marchionne trouxe a questão à tona, assegurando não pensa em vender a Alfa Romeo para a Volkswagen AG. E disparou: “Enquanto eu for o CEO da Chrysler e da Fiat, Piech não terá a Alfa Romeo. Eu já disse a ele. Vou enviar email ou ligar”.
A história não terminou aí. Na mesma oportunidade, Marchionne disse que Piech deveria concentrar a atenção em consertar a Seat, operação espanhola da Volkswagen: “Eu não sei se ele consegue fazer isso, mas deveria tentar”, disse aos jornalistas.
A Volkswagen tem planos firmes para se tornar a maior fabricante global de veículos antes do final da década. O desafio do Grupo Fiat é mais modesto e passa pela consolidação da joint venture com a Chrysler. Nessa trajetória a marca italiana tomou decisões arrojadas, como levar as marcas Fiat e Alfa Romeo aos Estados Unidos, junto com um pacote tecnológico expressivo, e estender a influência da Chrysler na América Latina, através da rede de distribuição.
No ano passado aconteceu outra iniciativa importante na Fiat: separar os negócios de automóveis das operações de veículos comerciais e industriais. Os efeitos dessa decisão ainda não estão claros, mas sugerem que a Fiat terá maior liberdade para decidir o futuro dos novos empreendimentos. Aguarde para breve anúncio da área de motores e transmissões do Grupo Fiat para esclarecer as mudanças estruturais com o split das atividades da FPT – Powertrain Technologies, envolvendo o fornecimento de motores leves, que voltará a carregar o nome Fiat e sistemas diesel.
Enquanto tudo isso acontece lá fora, aqui no Brasil os players envolvidos vão muito bem, obrigado. As dificuldades são diferentes, as logomarcas brilham e os guarda-roupas estão em perfeita ordem.
Foto: Sergio Marchionne, CEO, Grupo Fiat