Ao ecoalarmistas restou uma estranha coincidência, sem explicação. Logo após a conferência, uma onda de tempo muito frio e nevascas severas no hemisfério norte, que, em alguns casos, não ocorriam há um século, congelou em parte o discurso de emissões descontroladas de CO2, efeito estufa e aquecimento do planeta. Claro que sob o chapéu de “mudanças climáticas” tudo se encaixa.
Essa coluna tem mostrado uma posição cautelosa nesse assunto, apesar de reações iradas de alguns ecoleitores. Relembra que apenas 12% das emissões mundiais de CO2 são originadas dos automóveis. Esta semana um pesquisador de clima e meio ambiente, o neozelandês Roland Serda-Esteve, calculou que um veículo 4×4, rodando 10.000 quilômetros por ano, emite metade do gás carbônico em relação ao necessário para produzir rações e alimentar, também por um ano, um animal de estimação.
Também não dá, obviamente, para ignorar que outros cientistas pensam de forma diferente e se preocupam com o aquecimento global. Administrar diversas fontes de emissões de CO2 – um gás ao mesmo tempo essencial à vida no planeta – precisa ser algo racional e bem focado porque custa muito, muito dinheiro. Significa mudanças austeras de hábitos e procura por alternativas ao petróleo, que um dia vai se esgotar ou encarecer a um nível inviável em veículos. Estudiosos já disseram: “A idade da pedra acabou, mas as pedras, não.”
Na área automobilística, carros híbridos (motor a combustão e elétrico) têm sido considerados a solução de curto prazo. Mas o Conselho Nacional de Pesquisas, nos EUA, apontou os custos bastante elevados, quando os primeiros híbridos com baterias recarregáveis em tomadas (plug-in) chegarem em breve ao mercado. Comparado a um automóvel comum, o preço de venda subiria 50%, exigindo forte subsídio, para uma autonomia puramente elétrica de 70 km. O período de amortização superaria os 10 anos, salvo se o preço do petróleo subir bem acima dos atuais US$ 75/barril. Por isso, lá alguns defendem impostos sobre combustíveis fósseis, como os europeus já fazem.
No que toca ao Brasil, mesmo híbridos comuns seriam proibitivos. A Toyota está vendendo na Argentina o Prius, sem plug-in, 80% mais caro que o Corolla, topo de linha, equivalente em porte. Nesse preço estão incluídos 35% de taxa de importação Mercosul e outras despesas, entre elas treinamento de socorristas em todo o país, segundo a empresa, para evitar descargas elétricas em veículos acidentados ou em pane.
Ainda bem, temos o etanol que, no ciclo de vida do combustível, emite apenas 35 g/km de CO2, ou cerca de um quarto do que um bom híbrido de porte médio, a gasolina, consegue. E o nosso carro permanece com o mesmo preço. Para o que der e vier.
RODA VIVA
APENAS no último trimestre de 2010, Peugeot importará da Argentina o novo sedã que compartilha a mesma espaçosa arquitetura do Citroën C4 Pallas. Ainda não decidiu se o batizará de 308, que pouco tem a ver com o seu homólogo europeu. Houve críticas aqui quando a marca modificou o 206, chamando-o de 207, como o modelo todo novo à venda na Europa.
PLANOS de Sérgio Habib ao importar três modelos (quatro versões) JAC chineses são de alcançar 1% do mercado brasileiro, no primeiro ano cheio, 2011. Confia no estilo atualizado e marketing eficiente para 36.000 unidades/ano. Não será tarefa fácil. Nissan ainda luta para superar a barreira de 1%, mesmo produzindo aqui nas instalações da Renault.
FOCUS recebeu motor flex, 1,6 litro/115 cv, inteiramente novo e em alumínio. É o mesmo Sigma de última geração, disponível na Europa, multiválvulas e duplo comando. Montado na versão hatch mostra agilidade, suavidade e nível de ruído compatível para o segmento. Na carroceria sedã (20% estimados pela Ford) perde fôlego por ter dimensões maiores.
FÔLEGO de sobra apresenta o surpreendente Audi S3 Sportback. Motor 2-litros, de injeção direta e turbocompressor, entrega 256 cv de pura adrenalina. Auxiliado pela tração total pode acelerar de 0 a 100 km/h em 6 segundos. O que o deixa numa posição singular frente aos (poucos) concorrentes diretos. Completo, inclusive teto solar panorâmico, custa R$ 208 mil.
CORREÇÃO: Programa Brasileiro de Etiquetagem aponta o consumo de combustível e energético de 67 modelos, que representam 50% do volume de vendas do mercado. Para aproximar os números obtidos no dia a dia por 80% dos motoristas, o Inmetro corrigiu em 30%, no ciclo estrada e em 20%, no ciclo urbano, as indicações obtidas em testes de laboratório.
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22 de dezembro de 2009