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O que quer a MG no Brasil?

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Giovanna Riato

08 jun 2011

5 minutos de leitura

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Giovanna Riato, AB

A MG Motors apresentou nesta quarta-feira, 8, a sua estratégia para entrar no mercado nacional. O local escolhido para a instalação da primeira concessionária no Brasil foi a “catedral paulista do luxo automotivo”, a Avenida Europa, já dominada por marcas como Porsche, Ferrari, Pagani e a também inglesa Bentley. A loja, no entanto, não manteve o clima requintado da região e recebeu jornalistas para a apresentação com um andaime na entrada e acabamentos no visual por fazer.

A marca inglesa, fundada em 1924, é controlada desde 2005 pela gigante chinesa Saic (Shanghai Automotive Industry Co.). A empresa começa a operação no País com dois modelos: o sedã MG550, que será vendido a R$ 94.789, e o MG6, por R$ 99.789. (Preços quebrados, no melhor estilo oferta de ocasião, também não combinam muito com os produtos vendidos na Av. Europa.)

Os automóveis chegam em versões únicas, com motor 1.8, de quatro cilindros, 16 válvulas, câmbio automático de cinco velocidades e comando tiptronic com paddle shifts no volante. Bem equipados, os carros vêm com ar-condicionado digital dual zone, regulagem elétrica dos bancos, câmera e sensores de ré.

Apesar de não ter oficina de manutenção no Brasil por enquanto (a primeira deve ser inaugurada em 15 dias), a marca oferece sete anos de garantia, a maior já vista até agora, como diferencial para todos os modelos. As ambições para o início da operação estão longe de serem modestas para o segmento de luxo, no qual a marca quer se encaixar. “Vamos vender pelo menos 1,2 mil carros este ano”, almeja Juarez de Souza, presidente da importadora da MG.

Para isso, pretende nomear, até o fim de 2011, uma dúzia de concessionárias no Brasil em Curitiba, Brasília, Florianópolis, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras capitais. No ano que vem a intenção é inaugurar uma revenda por mês, para comercializar os dois modelos já apresentados e mais três novidades: o MG750, o MG350 e o MG3 – este último é a principal aposta para o mercado nacional.

O MG3 custará cerca de R$ 57 mil, para brigar no segmento de subcompactos de “imagem”, onde hoje se encontram o Fiat 500 e, principalmente, o também inglês MINI. “Este foi o primeiro carro da MG e o MINI foi criado para competir com ele”, afirma Souza, referindo-se ao lançamento da primeira versão do modelo, há 80 anos. Confiante na disputa, o executivo prefere não revelar a expectativa de vendas para o automóvel. “Vamos incomodar a BMW”, garante, guardando as informações para não dar munição à concorrência.

Assista à entrevista exclusiva com Juarez de Souza, presidente da importadora da MG:




Posicionamento

O interesse da MG Motors pelo mercado nacional desperta curiosidade, já que a marca chega ao Brasil sem imagem definida. “Vamos competir em qualidade e posicionamento de marca com BMW, Audi e Mercedes-Benz, mas também vamos competir com alguns outros modelos em preço”, conta o diretor de marketing Márcio Milani. Segundo ele, a intenção é fisgar os consumidores que estão migrando de veículos com faixa de preço em torno de R$ 70 mil para marcas de luxo.

O caminho não parece tão fácil. O segmento de carros premium cresce a um ritmo de 40% ao ano no Brasil, mas ainda tem volumes muito baixos, mesmo com marcas que já consolidaram sua imagem, seja por tradição, propaganda ou ambos. A Audi, que tem imagem forte no mercado brasileiro, vendeu 1.376 automóveis entre janeiro e maio deste ano, pouco mais do que a recém-chegada MG pretende comercializar ainda na metade de 2011.

A empresa não divulgou o investimento total para iniciar a operação na região, mas adiantou que R$ 4 milhões foram destinados ao departamento de marketing. “Vamos trabalhar muito a tradição inglesa da MG”, indica Milani. Os carros exibidos no lançamento, no entanto, não falam o mesmo idioma: não há marca visual comum entre eles.

A estratégia da empresa para desembarcar no Brasil mostra que o mercado nacional parece ter virado porto para todos, mas pode resultar em uma combinação não tão feliz. No segmento premium a oferta de produtos e lojas já é bem ampla, assim a marca inglesa pode conquistar, no máximo, apenas o mínimo, que parece ser bem menos do que as ambições do importador.