GT não significa um esportivo de dois ou dois + dois lugares. Para a Renault é apenas um letreiro para caracterizar a chegada ao Brasil da Renault Sport, seu braço esportivo. O automóvel tem um motor que não é o Nissan que equipa o Fluence, mas o Renault da antiga geração Megane, de origem preparado para resistir às maiores pressões internas geradas pelo turbo, soprando a mistura de gasálcool até 1 bar de pressão – uma atmosfera.
1.998 cm3 de cilindrada, bloco de ferro, cabeçote em alumínio, com maiores câmaras d’água, para aumentar a refrigeração. Turbo, coletor de admissão variável, faz resultados sensíveis: produz torque máximo de 30,6 kgmf de torque a 2.800 rpm. Torque é o que move automóveis e logo acima da marcha lenta entrega 20 kgfm a 1500 rpm. Transmissão com seis velocidades à frente, relações de marcha alteradas para melhor aproveitar a disposição do motor e sua missão com o automóvel. Freios, elementos da suspensão, molas e amortecedores adequados para as novas prestações. Acelera de O a 100 km/h em 8 segundos, e corta a velocidade final aos 220 km/h. Equipamentos de segurança como almofadas de ar, ABS com gestor eletrônico, controle de estabilidade e de aderência das rodas, de liga leve e aro 17.
A ideia não foi criar carro urbano para corridas, porém melhorar a performance do bom Fluence, opção ao cliente do bem formulado sedã, com automóvel com suave decoração externa, à base de spoiller frontal e pequeno adereço como asa traseira. Por isto não rebaixou a suspensão, deixando-o com cara de sedã normal. A conformação de sedã performático e sem porcariada que alguns gênios da indústria decorativa entendem ser de bom gosto esportivo, sugerem que 5% da produção argentina dos Fluence será na versão GT – projetada em 70 unidades mês – estimativa aparentemente contida, pois com rede de 240 revendedores, significa vendas de 0,3 unidade/concessionário/mês. Com certeza o número deve ser melhor – aliás, se cada um não conseguir vender uma unidade mensal, parece na hora de procurar outra atividade.
Automóvel completo, tem como opcionais apenas as cores, branco, preto ou vermelho discreto e metálico.

Fluence GT. Turbo promove rendimento.
GM Trailblazer, a volta do camburão
Veículo tão ligado à história da General Motors no Brasil quanto identificado como carro de polícia, o Trailblazer apresentado semana passada mantém o espírito, aplicação – e a imagem.
O formato, a morfologia, mostram-na como um Blazer grande, mas escapa ao rótulo usual e atual SUV, de Sport Utility Vehicle. Será no máximo um UV, pois suas dimensões, peso e a grande distância entre eixos nada permitem iniciativas de esportividade. Na prática e no seu aplicativo é o que a camionete 3100, montada na década de 1950, a Amazonas, nos albores dos anos 1960, e logo após Veraneio e Grand Blazer até a geração anterior: veículo espaçoso para famílias, serviços e, como muito utilizado pelo segmento público, ambulância e camburão.
Mecanicamente não destoa do picape S10, porém com adição de freios a disco nas quatro rodas, tendo em vista o enorme peso, acima de duas toneladas em uso. Suspensão traseira ancorada em cinco pontos tenta superar as dificuldades do centenário eixo rígido. Motorização diesel 2.800 cm3, 184 cv e gasolina V6, 3.700 cm3 e 239 cv, transmissões mecânica e automática com seis velocidades, tração nas 4 rodas e reduzida, acionadas por trêfego botãozinho. A R$ 145 mil.
Desenho local a partir do lápis do mexicano Carlos Barba, chefe de design aqui.

GM Trail Blazer, camburão fashion.
Roda-a-Roda
Começo – Assumir o importador, montar estrutura própria, fomentar a parte industrial de seu montador/fornecedor no Uruguai, são os planos da Lifan Motors. Aplicará US$ 150 milhões para aumentar capacidade e fazer fábrica de motores no vizinho país, e depois terá operação industrial no Brasil.
Versão – Programada para março, a Fiat antecipou aos que forem aos eventos da Associação de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador, a série especial do picape Strada. Clientela pontual para homenagear tão distinto equídeo em cabine estendida e dupla, versões Trekking e Adventure.
Como é – Mais ou menos o que fez a Mitsubishi com sua picape L200 há alguns anos: adesivos, rodas com pintura exclusiva, bordado com a logomarca Mangalarga Marchador nos bancos.
Aniversário – Festa pela festa, e série especial programada pela Nissan para comemorar 10 anos do início da produção da picape Frontier. A marca é mal resolvida com produtos. A picape citada, é segunda geração sobre o modelo descontinuado, veículo que se impunha pelo bom desenho, mas teve vida fugaz e, saindo, assustou o mercado.
Especial – Limited, série do Peugeot 408 motor 2.0, câmbio automático sequencial de seis velocidades, marca-se por adotar pacote de eletrônica para integrar à navegação e reprodução de mídias e comunicação em tela de 7” sensível ao toque. Maior conforto, câmera de ré. R$ 65 mil.
Começou bem – Criada para melhorar vendas nos mercados extra EUA, a nova picape Ranger tem recebido reconhecimento mundial: Picape do Ano na Europa, no Brasil, Motor do Ano para o diesel Duratorq 5 cilindros, o mais potente da turma.
Bom conjunto – Todo novo, componentes bem integrados, chassi, motor, câmbio com seis velocidades mecânico ou automático, itens de segurança e conforto. Deve ter performance de vendas à altura dos primeiros lugares.
Anúncio – A agência Neogama/BBH contratou o ator norte americano Paul Walker e criou filme para apresentar o Fluente GT ao mercado brasileiro, mesclando imagens da nova versão, em hipotética fusão com Fórmula 1. Ideia é transmitir que a tecnologia é a mesma.
Bom – É interessante: automóvel coreano, feito na Argentina, motor francês, ator norte-americano, carro de corridas francês, marca francesa, para ser vendido no Brasil. Apesar de parecer mini ONU, a proposta passa a ideia da transmissão de saber.
Atração– Estará no Rio dia 26? Gosta de automóvel, economia, tecnologia expostos por um camarada que saiu de Rondônia, salvou duas multis e hoje lidera a união de Renault com Nissan, terceiro maior grupo de automóveis?
Chance – O camarada, Carlos Ghosn, falará na PUC-Rio dia 26 às 17h no tema “A importância da indústria automobilística, a contribuição das novas tecnologias para eficiência em consumo e sustentabilidade e a importância dos engenheiros brasileiros na dinâmica da indústria automotiva”. É grátis. Para inscrever [email protected].
Relevo – Ghosn virá para reuniões com as marcas, cobrar conquistas de mercado, e fará agrado reunindo-se com a rede de concessionários. Presidente mundial em reunião com revendedores pode ser curioso. Tanto quanto o Brasil ser o segundo mercado mundial da Renault. Também ver o final da temporada de Fórmula 1 e fazer comemoração local com a vitória dos motores Renault
Duas rodas – A Honda ampliou sua linha de produtos dentro do projeto de mesclar nacionais com importados e estar presente em todos os segmentos do mercado. Abriu os portões da alfândega, com chinês, CRF 110, minimoto para crianças; e tailandesa CRF 250 on e off Road.
Daqui – Simplificou a Pop 100 para as Classes D e C; inicia fazer em Manaus a NXR 125R; mostra scooter PCX 150; tornou flex os modelos CB 300R e XRE.
Exógeno – O comunicado de imprensa parece ter sido vertido do inglês por programa ching ling’. Um só parágrafo contém: utility on-off; line-up; upgrade, design; performance. Não entenderam, a linguagem pátria é outra, e mais rica que a utilizada.
Fórmula – Embora o Campeonato de Pilotos na Fórmula 1 não tenha terminado, o segundo lugar de Sebastian Vettel no GP dos EUA deu à Renault o terceiro Campeonato Mundial de Construtores. A marca conseguiu 11 títulos mundiais em 35 anos na Fórmula 1.
Adaptação – O resultado intestinal da confusão armada por Fábio Briattore, envolvendo Piquet filho, e a resposta forte de Piquet pai, fez a Renault deixar de competir na Fórmula 1 com equipe própria, mudando o foco e passando a fornecer e assistir motores a outros times.
Mercado – A novela do vai-não-vai da redução do IPI tem atrapalhado a vida dos donos de carros usados. Profissionais da Matel, empresa promotora de feirões de usados em São Paulo e Belo Horizonte dizem, em feiras é possível conseguir preços até 30% acima do oferecido pelas revendas nas trocas.
Expansão – Nipônica Mitsubishi Electric adquiriu sua representante e entra no Brasil com equipamentos para automação de fábricas, mercado em expansão.
Freios – Spray com base sintética e cerâmica produzido pela Bendix, se utilizado nos discos de freio pode aumentar a durabilidade do sistema, por mantê-lo limpo, sem partículas de sal, água, partículas.
Retífica RN – Você sabe, a Coluna não erra. No máximo comete pequenas derrapagens. Caso da nota sobre a Easy Traction, empresa goiana criadora de sistema mecânico para substituir os frágeis botõezinhos que acionam tração nas 4 rodas e marcha reduzida. É www.easytraction.com.br.
Ecologia – Listagem da revista Newsweek indicou a Cummins, produtora de motores diesel, como a mais “verde” entre as empresas industriais. Na relação das 500 mais ecológicas do mundo ficou em 64º. Lugar.
Gente – François Dossa, franco brasileiro, diretor administrativo da Nissan, promoção. OOOO Novo presidente. OOOO Deve ser bom de serviço, pois deixou de ser diretor de banco, ficou meses na empresa e já chegou à janela. OOOO A Nissan passa por seu momento mais importante, implantando fábrica. OOOO Flávio Villaça, ex GM e Toyota, novo pouso. OOOO Diretor para Desenvolvimento da Rede e Qualidade ao Consumidor na Nissan. OOOO Lugar era de Tai Kawasaki, há tempos na marca e novo diretor de Pós Venda. OOOO
De trator Fiat, há mais de 100 anos
Automóveis, com função de ligar gentes e lugares, criando a mobilidade, e tratores, incrementando a produção de alimentos, são frutos da mesma árvore da tecnologia, adubada com as necessidades dos tempos.
A Fiat, desde os seus primórdios, concluiu que máquinas, processos e pessoas envolvidas para criar e produzir automóveis, também poderiam fazer tratores. Eram de tremenda demanda, em especial se lembrados os eventos de fome na Europa e no norte da África, fomentadores da migração de pessoas, famílias, enorme contingente para o novo mundo onde a subsistência seria menos difícil.
Em seus primeiros tratores motores com base automobilística, reforçados para resistir às forças de oposição no arar, gradear, sulcar a terra. Aplicava um vaporizador, arremedo mecânico otimizando o uso de querosene, combustível mais encontrado àquela época, vendido para iluminação em vendas e armazéns, mais disponível que a gasolina em latas ou em raríssimas bombas.
A Fiat vende tratores no Brasil há quase um século. Na década de 1940 preparou-se para iniciar produzir, mas só o fez na década de 1960. Inicialmente no início da Via Anchieta, em São Paulo e após em Contagem, colada em Belo Horizonte. Há poucos anos, quando produzir máquinas agrícolas tornou-se mau negócio, apostou no futuro adquirindo as norte-americanas New Holland de colheitadeiras e, após, a Case, colocando-as sob a marca CNH.
Como registro, foi a Fiat Tratores que fez toda a estrutura de relacionamento para a vinda da Fiat Automóveis para o Brasil.

Trator Fiat, em anúncio dos anos 1920.